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Sem entregar casas populares, Pezão promete reforma de três estádios em Nova Friburgo

Obras custarão 2,2 milhões de reais. Governo do estado do Rio de Janeiro prometeu 8.000 casas para região serrana após chuvas de 2011, mas só entregou mil

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro 21 jan 2014, 18h18

Das 8.000 casas prometidas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro para cidades da região serrana devastadas pelas chuvas de abril de 2011, só mil foram entregues até agora. A promessa foi posteriormente reduzida a 4.702 unidades pelo governo, mas ninguém sabe ao certo quando as 3.700 restantes ficarão prontas. A cidade de Nova Friburgo enfrenta mais uma época de chuvas com moradias precárias e parte da população dependente do subsídio conhecido como “aluguel social” para ter um teto provisório. Mesmo assim, na última segunda-feira, o vice-governador Luiz Fernando Pezão, pré-candidato ao Palácio Guanabara, aterrissou na cidade no helicóptero oficial para prometer mais construções. Não de casas, mas de estádios de futebol. Pezão assinou convênio para gastar 2,2 milhões de reais na reforma de estádios municipais em Riograndina, Campo do Coelho e Cordoeira.

Apesar dos recursos escassos do orçamento estadual e dos sucessivos atrasos na entrega de moradias prometidas à população, Pezão alega que um projeto não atrapalha o andamento do outro. Agora, o governo do Estado promete entregar quase 5.000 moradias até o fim de 2014. Ou seja, em pouco menos de 12 meses, diz que o governo vai fazer mais do que executou em quase dois anos.

A situação da cidade ainda é crítica. Os alagamentos deixaram de ser episódios extremos: qualquer chuva inunda áreas do centro e dos bairros. Na última quinta-feira, uma chuva normal de verão, que durou cerca de meia hora, deixou inundadas áreas do centro e a Praça do Suspiro – locais também afetados pelo temporal de 2011.

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“Estamos fazendo tudo junto. Hoje anunciamos reformas dos três estádios que foram usados para receber entulho na época das enchentes. Vamos recuperá-los”, disse Pezão ao site de VEJA.

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Em clima de campanha, Pezão foi ciceroneado pelo prefeito de Nova Friburgo, Rogério Cabral. E, pelo ritmo típico do candidato que enfileira pedidos de votos pelo estado, o vice-governador justificou que se atrasou para chegar à cidade porque já tinha visitado, no mesmo dia, Paracambi, Angra dos Reis e Mangaratiba.

Pezão é a esperança do PMDB de permanecer no poder na próxima eleição para governador. No fim de semana, o governador Sérgio Cabral anunciou que vai deixar o governo e liberar a caneta para o vice em 28 de fevereiro. A saída antecipada é uma tentativa de ofuscar a debandada do PT do governo, após sete anos de aliança dos dois partidos. Essa é a data, marcada pelos petistas, para entregar cargos no governo e pavimentar a candidatura do senador Lindbergh Farias, um dos disputantes ao Palácio Guanabara.

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