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Sem blocos, Vila Madalena tem ‘pancadão’ e drogas

Reduto boêmio da cidade, ruas do bairro foram tomadas por 40.000 pessoas nas madrugadas do final de semana mesmo sem os blocos de carnaval

Por Eduardo Gonçalves - 16 fev 2015, 14h29

Para tentar impedir as confusões ocorridas durante a Copa do Mundo, quando a região da Vila Madalena tornou-se o principal point dos boêmios da cidade, a prefeitura de São Paulo ampliou a fiscalização de vendedores ambulantes, instalou banheiros químicos, deslocou os blocos mais tradicionais para áreas maiores e montou uma operação especial de trânsito. Mas a mobilização não funcionou: 40.000 a 50.000 pessoas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), lotaram as ruas Aspicuelta, Fradique Coutinho, Mourato Coelho e Girassol. Sem as marchinhas e instrumentos musicais, a trilha sonora foi funk e música eletrônica no porta-malas de carros. E um dado preocupante: a reportagem do site de VEJA presenciou a venda e o consumo livre de drogas – “Olha o doce! Olha o doce!”, era ouvido com frequência no meio da multidão em referência ao ácido lisérgico (LSD).

O efetivo da Polícia Militar foi reforçado: uma base de comando foi montada na rua Mourato Coelho com viaturas e guarnições de outras áreas, e uma central de monitoramento da Sociedade Amigos da Vila Madalena (Savima) em um contêiner. A associação colocou à disposição da PM as imagens do circuito de dez câmeras instaladas na região para identificar delitos. O presidente da Savima, Cassio Calazans de Freitas, afirmou que houve pelo menos cinco prisões no bairro – em uma delas, um homem foi detido com um revólver, segundo Calazans. Procurada, a assessoria da Polícia Militar não informou o número de prisões nem apreensões de drogas ou armas – o balanço deve ser divulgado somente após os quatro dias de carnaval.

O horário estabelecido para dispersão – no máximo, até a 1 hora – foi desrespeitado tanto no sábado quanto no domingo. Formando um cordão de isolamento, os policiais caminhavam pelas ruas tentando dispersar a multidão – no domingo, uma forte chuva contribuiu para que a desmobilização fosse mais rápida.

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Mesmo com a instalação de 900 banheiros químicos pelas ruas de São Paulo – foram 200 no ano passado -, a reportagem flagrou inúmeras pessoas urinando na porta de casas, condomínios e igrejas. O cheiro de urina era forte. A restrição da administração municipal à venda de garrafas de vidro também foi descumprida, inclusive por ambulantes com a credencial da prefeitura à vista.

“O que a gente vê é que não tem bloco nenhum e um mar de gente andando pelas ruas até as 5 horas da manhã. A Vila Madalena não é Salvador. São ruas estreitas, cheias de declive. Era um bairro residencial antes de ser reduto boêmio. Os restaurantes e bares vieram depois. Não tenho problema nenhum com carnaval, mas não teve bloco nesses dias”, disse Calazans, que mora na região há mais de cinquenta anos.

Muitos foliões foram à Vila Madalena atrás de blocos de carnaval e se frustraram. “Nós fomos para a Vila para ver o que ia ter. Mas saímos rápido, porque era aquela galera ‘gigantesca’ na rua sem saber de onde vinha a música. Não tinha nada a ver com carnaval, parecia uma algazarra infernal”, disse o publicitário Pedro Ferreira Santos, de 22 anos, que já havia ido nos blocos Bangalafumenga e Bastardos. “Não pretendo voltar mais, só se tiver certeza que vai ter alguma coisa mesmo”, completou.

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