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Sem Alckmin, candidatos ao governo de SP fazem debate morno

Skaf (PMDB) e Padilha (PT) adotam estratégia de poupar críticas entre si. Nanicos fazem perguntas desconfortáveis a peemedebista e petista

Por Felipe Frazão e Andressa Lelli - 24 ago 2014, 07h08

O primeiro debate televisivo entre os candidatos ao governo de São Paulo, neste sábado, foi marcado pela ausência do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), que cancelou a participação de última hora por causa de uma infecção intestinal que o deixou internado desde sexta-feira – e também pela falta de críticas entre os demais candidatos. Nitidamente preparados para expor o governo do tucano, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) tentaram manter a estratégia mesmo sem a presença de Alckmin e evitaram o embate entre si. Skaf chegou a questionar se Alckmin era “muito lento”, e Padilha se o tucano era “vítima ou responsável” dos problemas do Estado.

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Assim como no horário eleitoral, Skaf adotou a estratégia usar palavras fortes logo em sua primeira participação. Disse que naquele momento “quatro mulheres seriam estupradas, seis pessoas seriam mortas, baleadas ou esfaqueadas e 750 pessoas seria furtadas ou roubadas”. As propostas, porém, não foram além de promessas de investimentos em tecnologia e integração entre as polícias. Tanto Skaf quanto Padilha apostam no uso de câmeras de monitoramento. O petista fala em criar um centro de comando comum para polícias militar, civil, científica e federal. O peemedebista disse que vai “comandar de perto” as polícias estaduais.

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Padrinhos – Sempre que pôde, Padilha procurou se vincular ao ex-presidente Lula e à presidente-candidata Dilma Rousseff, citando-os nominalmente durante o debate. Já Skaf voltou a evitar a associação com Dilma. Instado pelo candidato Laércio Benko (PHS) a dizer em quem votaria para presidente, o peemedebista limitou-se a dizer que votará no vice-presidente da República, Michel Temer – parceiro de chapa de Dilma. “Não estarei em palanque do PT nem o PT estará no meu palanque. O meu voto pessoal é para Michel Temer”, disse. Segundo o coordenador da campanha da presidente no Estado, Luiz Marinho (PT), Temer confirmou porém quem Skaf estará em comício com Dilma em Jales (SP), no dia 30.

Benko ironizou Skaf por causa da resposta: “Acho que o senhor ainda vive na época de João Goulart, em que nós votávamos para vice-presidente”. Benko, aliás, teve um dos melhores desempenhos. Com respostas claras e objetivas, criticou a margem de lucro dos acionistas da Sabesp quando o tema foi a crise hídrica do Sistema Cantareira e associou a sua imagem à da presidenciável do PSB, Marina Silva. Mas também protagonizou a defesa de propostas pouco convencionais, como a defesa da fitoterapia, massoterapia e o uso de ervas medicinais no SUS.

Padilha também teve de responder a uma pergunta desconfortável sobre os líderes petistas presos após o julgamento do mensalão, feita por Gilberto Natalini (PV), que classificou a corrupção como “uma praga que mina a democracia”. Padilha não fez críticas aos correligionários condenados. “Sempre tive uma postura de combate ao malfeito, sou ficha limpa”, afirmou. “Quero criar uma Controladoria Geral permanente em São Paulo, como a Controladoria Geral da União. Terei uma postura diferente governo de São Paulo, que conviveu com o escândalo o trem e do metrô durante 20 anos.”

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