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Secretário de Segurança pede à Justiça expulsão de ex-comandante de UPP

Capitão da Polícia Militar foi preso em fevereiro por receber mesada de trafiantes do Morro de São Carlos, no Estácio

Manter a tropa sob controle e longe dos velhos vícios da polícia é tão complexo quanto manter o ritmo de ocupação de favelas – uma meta do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Na quarta-feira, Beltrame solicitou ao Tribunal de Justiça do Rio a perda de posto e patente de um dos oficiais que recentemente ajudaram a manchar a imagem da corporação e do programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), sobre o qual se apoia toda a política de segurança do governador Sérgio Cabral.

O oficial que agora pode perder a patente é o capitão Adjaldo Luiz Piedade Júnior. Contra ele já há um parecer da Corregedoria Geral Unificada endossado pelo comandante da PM, coronel Erir Ribeiro. O próximo passo, caso seja obtida decisão favorável da Justiça, é o desligamento de Adjaldo pelo governo do estado.

O militar foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal e pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, acusado de receber propina do tráfico de drogas enquanto comandou a UPP do Morro de São Carlos, no Estácio, região central da capital fluminense. A investigação descobriu que o traficante conhecido como Peixe pagava, por semana, cerca de 15.000 reais ao capital da unidade. Em troca, nada era feito para coibir o tráfico de drogas.

Sequestros – No último dia 26 outro policial de uma UPP foi preso na mesma região. Rafael Barbosa Leonel foi capturado em flagrante por policiais civis da 6ª DP (Cidade Nova) por sequestrar um comerciante do bairro do Estádio. Segundo a polícia, era a segunda vez que a mesma vítima ficava em poder de Leonel e de Renato Raposo da Silva, um cúmplice também preso. Os dois já tinham extorquido 6.000 reais do comerciante e, desta vez, cobravam mais 7.000 reais. Leonel era lotado na do morro do Fallet, na região central da cidade.

Os sequestros cometidos por policiais, como mostrou reportagem de VEJA, são a nova ameaça à segurança no Rio. Como as UPPs dificultaram os esquemas de pagamento de propina – como o operado pelo capitão Adjaldo -, maus policiais passaram a raptar foragidos da Justiça, parentes e outras vítimas para exigir resgates em dinheiro. A PM informou no mês passado que, em dois anos, 26 policiais foram presos sob acusação de sequestro e cárcere privado.

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