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Sarney se defende e diz que não sai

Por Da Redação 5 ago 2009, 16h48

O presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) confirmou em plenário nesta quarta-feira que não vai renunciar ao cargo. O peemedebista fez um discurso para se defender da série de acusações contra ele e disse que é alvo de uma campanha para desestabilizá-lo.

“Permaneço pelo Senado, para que saiba que me fez presidente para cumprir meu mandato”, disse Sarney. “Hoje não se fala mais em crise administrativa do Senado, ela sumiu. Toda a mídia e alguns senadores a atribuem a mim. Não dizem o que fiz de errado ou porque devo receber punição”, completou. O senador ainda citou cada uma das denúncias apresentadas no Conselho de Ética contra ele e disse que está tomando todas as medidas administrativas necessárias para melhorar o funcionamento da Casa.

Acusações – Sobre as 170 diretorias do Senado, Sarney disse que elas não foram criadas por ele em sua totalidade. Isso é um absurdo. “É uma herança do passado, mas disseram e consta de uma representação, que 70% dessas diretorias foram criadas por mim. Eu criei 23 diretorias para atender novos serviços que servem aos senadores, como TV, rádio, jornal.”

Ao falar sobre o escândalo dos atos secretos, Sarney garantiu que nenhum dos presidentes da Casa sabia a respeito de tais documentos. “Ninguém nesta Casa sabia ou podia pensar que existiam atos secretos. A Constituição diz no artigo 37 que a administração dos Poderes deve obedecer aos princípios da publicidade, moralidade e eficiência. Esses atos tinham nulidade necessária. Por isso eu anulei todos eles, com ressalva às decisões tomadas pela Mesa, porque que não tinha autoridade para anular atos da Mesa aprovados pelo plenário desta Casa.”

Família – A respeito das acusações de nepotismo, Sarney afirmou que nunca chamou parentes para sua assessoria. O peemedebista admitiu apenas a contratação de uma sobrinha que atuou no gabinete de Delcídio Amaral (PT-MS). Segundo ele, o marido de sua sobrinha tinha sido transferido para o Mato Grosso do Sul.

Sarney falou ainda sobre as acusações contra seu neto, que teria usado o prestígio da família para intermediar contratos de crédito consignado com a Casa. Segundo o senador, seu neto nunca foi funcionário do Senado, tampouco negociou qualquer contrato com a instituição.

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O presidente da Casa ainda citou as gravações que foram publicadas e mostram seu envolvimento na contratação do namorado de sua neta por ato secreto. “É uma ilegalidade, uma brutalidade, que hoje é comigo e amanhã pode ser com qualquer um dos senhores senadores”, disse. Dentre as manobras atribuídas à oposição e à mídia, Sarney afirmou que sua voz foi “enxertada” em áudios atribuídos às investigações da Operação Boi Barrica. “Quantas dessas gravações não foram montadas?”, questionou. “Não há nelas qualquer palavra minha de nomeação por ato secreto. Claro que não existe pedido de uma neta que, se pudermos ajudar legalmente, deixaríamos de ajudá-la”.

Fundação – Sobre a Fundação José Sarney, o peemedebista mostrou documentos segundo os quais teria repassado as tarefas administrativas a um advogado. Por isso, negou qualquer irregularidade que possa ter sido cometida, como o desvio de verbas da Petrobras.

Trajetória – Sarney aproveitou também o início de seu discurso para relembrar sua trajetória política como ex-presidente da República e governador do Maranhão. Ele fez questão de ressaltar que apoiou Lula durante a ditadura militar, mesmo não o conhecendo pessoalmente na época.

“Quando Lula foi atacado, não o conhecia e, mesmo sendo seu adversário, escrevi um artigo na Folha de S.Paulo defendendo sua biografia com o título A Lula o que é de Lula, dizendo que ele não podia ser acusado do que estava sendo acusado”, disse. O presidente do Senado disse que hoje apoia o governo do presidente Lula por ter sido convidado pelo petista.

Ele lembrou ainda que, uma semana depois do golpe militar, em clima de grande apreensão e temor, ele foi o único deputado a defender em discurso na tribuna da Câmara o mandato dos deputados que haviam sido cassados. “Aqui na Casa ninguém pode ser cassado fora dos termos previstos na Constituição”, disse Sarney, relembrando seu discurso da época. “Não era fácil naquele tempo tomar uma posição dessa natureza. No AI-5, fui o único governador que não o apoiou”, disse.

(Com Agência Estado)

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