Clique e assine a partir de 8,90/mês

Sabesp muda cálculo de água armazenada no Cantareira

A pedido do MP, companhia inclui os volumes mortos na soma da capacidade dos reservatórios – a nova referência torna o percentual disponível menor

Por Da Redação - 17 mar 2015, 18h34

Pressionada pelo Ministério Público, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mudou a forma de divulgar o nível de água armazenado no Sistema Cantareira, um dos principais mananciais que abastecem a Região Metropolitana da capital paulista. O novo método resulta em um percentual menor que o anterior: o Cantareira ainda opera no negativo em relação ao seu volume útil original, uma vez que o volume é inferior às duas cotas de volume morto acrescentadas ao sistema.

A partir desta terça-feira, a Sabesp passou a publicar diariamente uma comparação entre o nível de água armazenado e a capacidade total do Cantareira, somados os dois volumes mortos acrescentados ao longo do ano passado: 1.269,5 bilhões de litros. A Sabesp batizou a soma geral de “volume autorizado”, uma rubrica que remete à autorização obtida pela concessionária junto à Agência Nacional de Águas (ANA) para bombear água das reservas técnicas.

Antes, a companhia usava uma metodologia diferente, que resultava em uma conta artificial. Embora não houvesse alteração no volume real de água disponível, o percentual era divulgado de forma anabolizada.

Atualmente há no sistema 150,6 bilhões de litros. Com a metodologia antiga, que permanecerá sendo publicada pela companhia, o Cantareira tem nesta terça 15,3% de sua capacidade original – 982 bilhões de litros, o chamado “volume útil” do sistema.

Com o novo cálculo, o nível de água atual é de 11,9%. O percentual é menor porque a Sabesp passou a calcular o valor comparando não apenas com o volume original, mas incluídas as duas cotas de volume morto, que acrescentaram para uso 287,5 bilhões de litros (182,5 bilhões de litros da primeira reserva e mais 105 bilhões de litros da segunda).

A diferença havia sido apontada por reportagem do site de VEJA. A nova forma de medição é similar aos métodos de cálculo aplicados pela ANA e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Rio de Janeiro. Nos reservatórios fluminenses, o cálculo já era apresentado de duas maneiras: um percentual referente apenas ao volume útil e outro que considera a soma dos volumes útil e morto, chamado de “capacidade”.

Gráfico mostra o real nível de água do Sistema Cantareira
Gráfico mostra o real nível de água do Sistema Cantareira VEJA

(da redação)

Continua após a publicidade
Publicidade