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Rio só tem 14 funcionários para mapear áreas de risco

Presidente do Departamento de Recursos Minerais apresenta, à CPI que investiga responsabilidades na tragédia da serra, deficiências do sistema

“É preciso agregar confiabilidade ao mapeamento. Cada grande acidente como esse traz novidades, você é surpreendido com uma situação, ai tem que prover solução para evitar novos desastres”, diz Flávio Erthal

O estado que ainda se recupera do maior desastre natural do país, com cerce de mil mortos e algumas centenas de desaparecidos, tem apenas 14 funcionários para cuidar do mapeamento e do controle das áreas com risco de deslizamento. A informação foi apresentada na manhã desta quinta-feira pelo presidente do Departamento de Recursos Minerais (DRM), Flávio Erthal, à CPI que investiga a tragédia na região serrana.

No ano passado, o DRM foi autorizado a fazer concurso para a contratação de mais 16 pessoas. No entanto, Erthal calcula que a equipe ficará com 20 técnicos no total, pois, se chegam alguns, outros se aposentam. “Há realmente um déficit de funcionários”, afirma o presidente do DRM. Para Erthal, um grupo formado por 20 pessoas é o básico para que o serviço possa ser feito com qualidade. “Dentro das condições que temos de recursos, seria o mínimo para se ter um grupo treinado para orientar o trabalho de mapeamento geológico e o atendimento às necessidades das prefeituras”, diz.

Em maio do ano passado, o departamento selecionou 30 cidades para confeccionar um raio-x das áreas de risco iminente. Na semana passada, foram fechados os mapeamentos dos oito primeiros municípios. Os locais foram escolhidos de acordo com o levantamento feito anteriormente sobre o histórico de eventos e a quantidade de chuva em cada região. As outras 62 cidades que não foram incluídas na lista do DRM já apresentavam mapa de risco. Ou seja, 30 lugares do Rio de Janeiro não têm um estudo básico sobre as áreas com perigo de desabamento ou inundação.

“Como não havia informação, procuramos prover um conhecimento mínimo. O risco não é só na região serrana, a Baixada Fluminense, o norte, o noroeste e o médio Paraíba também têm risco”, argumentou Erthal. Até o fim do ano, ele estima que mais 18 cidades estejam com seus mapas em mãos.

Na região serrana, logo após o desastre, foi feito o estudo de localidades com risco iminente. Ainda há equipes em Friburgo traçando os pontos de risco remanescente. Funcionários do DRM irão ajudar as prefeituras de Teresópolis e Friburgo a rever os mapas. E vão colaborar com as demais cidades da região no suporte técnico, no assessoramento do processo de formatação dos mapeamentos e na licitação das empresas que farão esse processo. “Não foi feito mapeamento detalhado. Isso será feito ao longo do ano. A ideia é chegar ao próximo verão com situação de conhecimento muito melhor (sobre as cidades da serra)”.

Mudanças na forma de mapear- O presidente do departamento defende que, diante do tamanho da tragédia ocorrida, a forma de se mapear seja repensada. Até porque grande parte da área afetava era rural, e não estava incluída no mapa. “É preciso agregar confiabilidade ao mapeamento. Cada grande acidente como esse traz novidades, você é surpreendido com uma situação, ai tem que prover solução para evitar novos desastres”, diz.