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Rio começa a multar quem joga lixo no chão

Operação Lixo Zero, no Centro, multou 50 pessoas por jogarem lixo no chão na manhã desta terça. Penas podem chegar a 3.000 reais

Por Cecília Ritto 20 ago 2013, 13h27

A cena corriqueira do fumante jogando guimba de cigarro no chão começa a ser combatida nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. O método é simples: assim que a ponta do cigarro vai para o ralo, o asfalto ou para as pedras portuguesas, aparece um agente da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) para avisar que o fumante terá de pagar uma multa de 157 reais. A Operação Lixo Zero multou, durante esta manhã, cinquenta pessoas que jogaram lixo na rua, a maior parte por causa das guimbas. O valor varia dependendo do volume do lixo. Até o tamanho de uma lata de refrigerante o preço se mantem em 157 reais, mas pode chegar até 3.000 em casos como o descarte de um entulho.

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Um dos multados foi o vendedor Felipe Coutinho, de 31 anos, que jogou o final do cigarro no ralo, antes de entrar na galeria onde trabalha. “Estava com pressa para trabalhar e acabei cometendo a infração. Eu reconheci o meu erro, mas não sei se a multa é o melhor caminho. Talvez fosse mais educativo uma medida socioeducativa, como varrer esta praça. Acho fora da realidade pagar 157 reais”, disse Coutinho, afirmando que recorrerá da multa recebida no Largo da Carioca.

Felipe Coutinho é multado em 157 reais por jogar guimba de cigarro no chão
Felipe Coutinho é multado em 157 reais por jogar guimba de cigarro no chão VEJA

O primeiro dia da operação foi restrito ao Centro. Daqui a 10 dias, chegará a Copacabana. Depois, Ipanema, Leblon, Laranjeiras, Botafogo, Catete e Tijuca. Em Outubro, serão multados os que jogarem lixo no chão do Méier, Madureira e Campo Grande. Em junho começou a campanha de conscientização dos pedestres em todos esses bairros. Segundo Fernando Alves de Oliveira Pinto, coordenador da operação, nos dois meses de teste, 16.000 pessoas cometeram infrações – 90% por guimbas de cigarro.

Há 180 equipes espalhadas em quatro regiões da cidade. No centro, são 58. As equipes são compostas por três pessoas, um agente da Comlurb, um guarda municipal e um policial militar. O agente faz a abordagem, o guarda confere os dados do CPF na Receita Federal e dá um auto de constatação. Quem recebe a multa tem até dois dias para entrar no site da prefeitura e emitir o boleto da multa, que tem que ser paga até o dia 10 do próximo mês. Se não pagar, o nome vai para o cadastro da Serasa. O policial cuida para que não haja resistência. Os PMs são todos militares de folga para não haver impacto na segurança da região.

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As esquipes estavam espalhadas pelas principais áreas do Centro. Na Cinelândia, eram três grupos. Apenas um dos trios emitiu quatro multas – todas por guimbas no chão. “Alguns questionam. É um descuido das pessoas”, diz Antônio Ancelmo, agente da Comlurb que circulava pela praça na manhã de terça atrás dos sujões.

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