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Revista satírica Private Eye celebra 50 anos de sucesso e impertinência

Por Por Sam Reeves 29 set 2011, 12h11

Irreverente com a classe política, por vezes hilariante, às vezes polêmica, a revista quinzenal satírica britânica Private Eye celebra em outubro seu 50º aniversário, meio século de impertinência e de jornalismo de investigação que fizeram seu sucesso.

Em todo este tempo, a publicação negou-se a ceder à moda: continua sendo publicada em um papel de qualidade muito ruim e seu site não inclui mais que uma pequena seleção de artigos.

“Acredito que se fosse impressa em papel acetinado e tivesse um layout moderno, os leitores a odiariam”, estimou Adam Macqueen, jornalista da revista e autor do livro “Private Eye: os 50 primeiros anos”.

“Não ia parecer autêntico. É importante que tenha este aspecto ligeiramente amarrotado, um pouco amador”, explicou à AFP na sede da revista, uma espécie de labirinto de minúsculos escritórios em uma casa em ruínas do centro de Londres.

A revista é em grande parte fruto de quatro homens que foram ao mesmo instituto e trabalharam para o mesmo jornal escolar. No dia 25 de outubro de 1961 lançaram a Private Eye, convertida hoje em uma instituição.

Suas principais características: uma capa com fotos de políticos, membros da família real, animais ou objetos que falam através de quadrinhos.

“Como? Tenho que usar burca?”, se revolta o sofá em forma de sereia da residência da filha do ex-líder líbio Muamar Kadhafi, Aisha, na capa do número do início de setembro.

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O jornal, dirigido hoje por Ian Hislop, também inventou alguns eufemismos que hoje formam parte da linguagem comum, como “cansado e emotivo” para bêbado, ou “cigarro exótico” para baseado.

Em 50 anos de sátiras, a Private Eye provocou polêmicas. A mais violenta é certamente a desatada por um número que ridicularizava a onda de histeria e devoção após a morte da princesa Diana em 1997.

Diante do escândalo, uma rede de distribuidores da imprensa retirou de venda o polêmico número da Private Eye.

Mas nesta época de crise para a imprensa escrita, as vendas da revista se mantêm há três anos em torno dos 205 mil exemplares.

“Os momentos ruins para o país são bons para a Private Eye”, afirma Adam MacQueen, que inclui nesta categoria “crises financeiras, governos de coalizão, guerras impopulares, escândalos de gastos de deputados, distúrbios e escutas telefônicas”.

O escândalo no grupo de meios de comunicação de Rupert Murdoch é um presente para a Private Eye, que ataca regularmente o magnata, apelidado por ela de “catador de lixo”.

“Te pegamos”, era a manchete da revista neste verão (boreal), retomando uma famosa capa do Sun. Em maio de 1982, o jornal sensacionalista propriedade de Murdoch acolheu deste modo o naufrágio do barco argentino “General Belgrano” por um submarino nuclear britânico durante a guerra das Malvinas.

A Private Eye tem certamente um bom futuro pela frente, prevê Adam Macqueen. Se o governo “se tornasse de repente absolutamente transparente, assim como os meios de comunicação e todo o resto, provavelmente não haveria muito lugar para a revista, mas não acredito que isso ocorra em um futuro próximo”.

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