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‘Resposta midiática’: advogado vê derrubada de sigilo pelo STF como reação a críticas sobre Mendonça

Para Bruno Moura (IEA-USP), divulgação de investigação busca responder a acusações de que ministro estaria tomando decisões para favorecer Flávio Bolsonaro

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2026, 16h27 | Atualizado em 11 set 2026, 17h41
‘Resposta midiática’: advogado vê derrubada de sigilo pelo STF como reação a críticas sobre Mendonça Priorize VEJA no Google

A derrubada do sigilo de parte do caso Master seria, na avaliação do advogado Bruno Moura, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, uma “resposta midiática” do Supremo Tribunal Federal (STF) às acusações de que o ministro André Mendonça estaria tomando decisões para favorecer Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida, proferida na noite da última quinta-feira, 10, teve como principal revelação a investigação contra o senador por suspeita de lavagem de dinheiro por meio do filme Dark Horse. A análise foi feita no programa Ponto de Vista, de VEJA. (Este texto é um trecho do vídeo acima)

Moura lembrou que a investigação reúne, pelo que foi possível verificar até o momento, três suspeitas de crimes: corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Ele explicou que a corrupção passiva consiste em aceitar algum tipo de benefício para si ou para outra pessoa em troca de fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

O segundo delito citado pelo advogado é a evasão de divisas, caracterizada, segundo ele, pelo envio de dinheiro para fora do Brasil sem a declaração da operação aos órgãos de fiscalização, normalmente o Banco Central. Moura afirmou que essa parte da investigação também se relaciona às questões envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que atualmente mora nos Estados Unidos.

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Já a lavagem de dinheiro, explicou o pesquisador, ocorre quando valores provenientes de um crime anterior são colocados em circulação lícita no mercado financeiro. Ele citou como possíveis crimes antecedentes uma série de delitos, entre eles corrupção e evasão de divisas.

Na leitura de Moura sobre a linha investigativa da Polícia Federal, a suspeita seria de que Flávio Bolsonaro teria recebido valores provenientes de corrupção passiva para fazer ou deixar de fazer alguma coisa em benefício de um grupo ligado ao Banco Master. Esses valores, segundo a hipótese apresentada pelo advogado, seriam posteriormente inseridos de maneira ilícita no mercado, enquanto parte deles teria sido remetida para o exterior.

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O pesquisador explicou ainda por que investigações policiais normalmente tramitam sob sigilo. De acordo com Moura, a regra prevista no Código de Processo Penal é que o inquérito policial seja sigiloso porque ele funciona como instrumento para apurar os fatos e verificar se existe razoabilidade nas acusações. No caso de políticos, acrescentou, a simples notícia de uma investigação já pode produzir impacto sobre a imagem do investigado.

Moura diferenciou o sigilo do inquérito da fase posterior à apresentação de uma denúncia pelo Ministério Público. Segundo ele, quando há o oferecimento da peça acusatória, com a indicação dos crimes e das provas que sustentariam a acusação, a regra é que o processo passe a tramitar publicamente.

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É nesse contexto que o advogado interpreta a decisão de liberar o sigilo. “A liberação desse sigilo, na verdade, é mais uma resposta midiática que o Supremo Tribunal Federal está fazendo para as acusações de que o ministro André Mendonça está tomando as decisões que ele está tomando para favorecer o Flávio Bolsonaro”, afirmou Moura.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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