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Relatora da ONU critica política israelense de ‘judaização’

Israel promove uma “estratégia de judaização” em Jerusalém Oriental anexada e na Cisjordânia ocupada, assim como nas regiões do território israelense onde vive uma minoria árabe, acusou neste domingo a arquiteta e urbanista brasileira Raquel Rolnik, representante da ONU.

“De Galileia a Neguev, passando por Jerusalém e Cisjordânia, as autoridades israelenses adotaram um modelo de desenvolvimento territorial que exclui as minorias, as discrimina e as expulsa”, declarou Rolnik, relatora da ONU para a moradia, em coletiva de imprensa em Jerusalém.

“Este modelo afeta particularmente as comunidades palestinas próximas às colônias judaicas em desenvolvimento acelerado”, disse Rolnik, ao apresentar à imprensa suas conclusões preliminares depois de uma missão de duas semanas em Israel e nos territórios palestinos.

“De forma geral, é claro que as políticas e as práticas israelenses sobre a população palestina em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia violam os direitos humanos e o direito humanitário internacional”, afirmou.

Os palestinos acusam Israel de pressioná-los para que saiam de Jerusalém, dificultando a obtenção de permissões para construção.

A União Europeia criticou recentemente “a deterioração da situação” em Jerusalém Oriental em 2011.

Em um relatório anual, os chefes da missão da UE em Jerusalém e em Ramalah (Cisjordânia) acusaram Israel de “sabotar sistematicamente a presença palestina na cidade através da expansão contínua das colônias”.

Na Cisjordânia, os moradores das regiões palestinas sob controle militar e civil israelense enfrentam as restrições para construir.

A estratégia de Israel é “fragmentar” a Cisjordânia para colocar travas à formação de um Estado palestino, denunciam os palestinos.

As comunidades beduínas, na Cisjordânia e em Israel, estão em conflito com as autoridades israelenses que querem estabelecer-se fora de seus territórios tradicionais.

A relatora da ONU, arquiteta e urbanista, também mencionou as “condições difíceis que a população enfrenta” na Faixa de Gaza, afirmando os “efeitos nefastos do bloqueio sobre a moradia e a infraestrutura”.

Israel impôs um controle estrito do enclave palestino, dificultando a construção em Gaza, apesar do afrouxamento do embargo terrestre.

As conclusões de Rolnik serão apresentadas em um relatório final que será entregue a Israel e aos palestinos em maio de 2013.