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Reintegração em São Paulo termina em conflito; 70 são detidos

Prédio na Avenida São João foi invadido há seis meses. Justiça determinou que o grupo deixe o local. Houve confronto, e um ônibus foi incendiado

Atualizado às 14h10

Uma reintegração de posse terminou em confronto entre invasores e a Polícia Militar nesta terça-feira, no Centro de São Paulo. Integrantes do grupo de sem-teto Frente de Luta por Moradia (FML) recusaram-se a deixar o prédio invadido, localizado na Avenida São João, e atiraram objetos contra os agentes – de sofás e camas a pedaços de madeira. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. O conflito, então, espalhou-se pelas ruas ao redor – e acabou em cenas em vandalismo: um ônibus foi incendiado, e mascarados tentaram arrombar uma loja de telefonia celular. Setenta pessoas foram detidas, segundo a PM, e dois policiais e uma mulher grávida ficaram feridos.

A reintegração de posse foi determinada pela 25ª Vara Cível do Foro Central a pedido do proprietário do imóvel. O prédio de vinte andares foi invadido há seis meses pelo FML. Pela manhã, policiais tentavam um acordo para a desocupação pacífica de cerca de 200 famílias, mas a tentativa não foi bem-sucedida. De acordo com a PM, um acordo chegou a ser firmado, mas representantes dos sem-teto alegaram que não havia caminhões para realizar a mudança em número suficiente. Imagens de televisão mostraram o blindado do Batalhão de Choque da PM avançando contra o prédio, na tentativa de arrombar a porta. As famílias começaram a deixar o prédio por volta das 10h15, e não há mais invasores no local.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a Avenida São João está bloqueada entre o Largo do Paissandu e a Avenida Ipiranga. De acordo com a SPTrans, cerca de trinta linhas de ônibus foram alteradas por causa do bloqueio. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) informou que essa não é a primeira vez que policiais tentam cumprir a reintegração. No dia 27 de agosto, a ação foi suspensa porque os oficiais de Justiça avaliaram que a quantidade de caminhões e transportadores não era suficiente.

(Com Estadão Conteúdo)