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Reeleito, Agripino vê DEM forte: ‘O partido era desunido’

Presidente da legenda diz que reformulação programática vai abrir caminho para a reconquista do espaço perdido. E defende candidatura própria em 2014

O senador José Agripino Maia (RN) foi reeleito nesta terça-feira presidente nacional do DEM. O sucessor de Rodrigo Maia assumirá o cargo em março, em eleições antecipadas, e agora seguirá no posto até 2014. Agripino, um dos fundadores do partido, tem pela frente a delicada tarefa de reconduzir o partido a uma trajetória de crescimento, depois de nove anos consecutivos de maus resultados e divisões internas. O comandante da legenda se diz “estimulado” com a missão e, embora defenda a aliança com o PSDB, quer o lançamento de um candidato próprio à Presidência. Agripino falou ao site de VEJA logo após sua recondução ao cargo.

O senhor assume um partido que, em tamanho, é praticamente metade do que era quando assumiu. O que fazer para voltar a ganhar espaço? Primeiro de tudo: o DEM não é metade do que eu assumi. Quando eu assumi, tínhamos quatro senadores. Hoje temos cinco. O partido perdeu 19 deputados federais, é verdade. Mas a essência do partido ficou, as lideranças que até não tiveram êxito na eleição passada, como Marco Maciel, Paulo Souto e José Carlos Aleluia, ficaram todas e são potenciais congressistas nas eleições de 2014. Eu me sinto estimulado pelas ideias do partido. O DEM era um partido desunido e hoje é um partido com as lideranças preservadas, ideias consistentes e promissor no campo das eleições de 2012 e 2014. Nesse caminho, o DEM pode buscar uma independência maior em relação ao PSDB? Cada qual tem que pensar em si próprio. A nossa meta é pensar em nós. Se nós pudermos pensar em nós associados ao PSDB, ótimo. O pensamento, portanto, é do nosso crescimento. Se esse crescimento ocorrer junto com o PSDB, marcharemos juntos. Mas essa parceria não corre o risco de se esgotar? Não, nós temos uma linha de atuação que é permanente. Nós somos partidos de oposição que, sejam quais forem as disputas eleitorais, no campo da atuação congressual vão seguir sempre juntos. O senhor defende o lançamento de uma candidatura própria à Presidência em 2014. Não é só uma tentativa de garantir o cargo de vice na chapa do PSDB, já que o PSD pode roubar esse espaço? Absolutamente. O presidente de partido sintoniza o pensamento de seus companheiros. Na convenção ficou claramente colocada a disposição do partido de, crescendo em 2012 e 2014, disputar a Presidência. Esse é um sentimento. Para se transformar em uma candidatura precisa de viabilidade. Alguns colegas do senhor citam o nome do senador Demóstenes Torres como potencial candidato. É uma opção? Nós temos muito nomes. Mas não é a hora. É a hora de pensar na tese. Em nome, ainda não. O que o DEM vai apresentar ao eleitor paras se diferenciar dos outros partidos e reconquistar espaço? Formulação programática. É um partido que não convive com a impunidade. É um partido moderno. Nós apresentamos, anos atrás, a proposta de concessões de aeroportos que hoje o governo adotou, defendemos o direito à propriedade privada, a prioridade pelo emprego do capital privado, a luta por um Brasil competitivo, uma carga tributária menos onerosa. Nós estamos em contato permanente com partidos internacionais que nos dão a bússola e o sentido correto para buscar e não errar. Não é curioso o DEM manter uma aliança com o PPS, que teve origem no Partido Comunista Brasileiro? Nós temos uma ação programática e a oposição recomenda fiscalização, cobrança e aplicação de suas ideias. Um partido, na oposição, em primeiro lugar tem que fiscalizar, cobrar. Se o PPS e o DEM podem divergir no campo das ideias, eles vão sempre se alinhar na fiscalização do governo. O senhor vetou mesmo as alianças com o PSD em 2012? Não sou eu quem veta. O partido não concorda em fazer alianças com o PSD. O que o PSD quer, já que em grande medida é composto por quadros que saíram do nossos partido, é que nós emprestemos nossa história – que vem desde a redemocratização e o apoio a Tancredo Neves – a eles, que não têm história.

Em São Paulo, o DEM vai lançar Rodrigo Garcia candidato a prefeito porque ficou isolado pela proximidade entre PSDB e PSD? Não sei se eles estão próximos. Não tenho informação. Mas isso não nos compete. Nos que nos compete, nós temos uma candidatura própria, que é a do Rodrigo Garcia. Se o PSDB quer fazer aliança com o PSD, é uma questão deles.