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Recurso internacional não avança para combate à aids

Por Leonencio Nossa

Brasília – Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre aids divulgado nesta quarta-feira destaca que os recursos internacionais para o combate da doença não apresentaram avanços de 2008 para cá. Por ano, a comunidade internacional, especialmente ricos, repassaram para países em desenvolvimento US$ 8,2 bilhões. O estudo, porém, ressalta um aumento de 15% dos investimentos nacionais no setor, o que equivale a US$ 8,6 bilhões. A ONU avalia que para atingir a meta de cobertura universal, ate 2015, será preciso compensar um déficit anual de US$ 7 bilhões.

Em entrevista, em Brasília, para divulgar o relatório, o coordenador residente da ONU no Brasil, Jorge Chediek ressaltou dois problemas “sérios” na área. O primeiro, é a dificuldade de captação de recursos e o cenário de crise global. O segundo problema, segundo Chediek, é o tradicional: a ignorância, a homofobia e o preconceito. Segundo ele, esses dois problemas são os grandes desafios a serem enfrentados para expandir o tratamento, especialmente em regiões como a África e o Oriente Médio.

Chediek ressaltou que é preciso garantir o cumprimento das promessas dos países desenvolvidos de manter os investimentos nos países pobres. “É preciso uma manutenção da terapia constante. O desafio é manter a cobertura e expandi-la”, disse. O representante da ONU, no entanto, disse que o cenário é otimista, pois o relatório divulgado nesta quarta-feira mostra uma tendência de redução de mortes e de infectados por vírus HIV, de forma global, além da expansão do tratamento.

O diretor do departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis AIDS e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, informou que a estimativa é de que 250 mil brasileiros estão infectados pelo vírus HIV, mas não sabem, e que em 2011, 25 mil a 30 mil novos pacientes entraram na rede de tratamento.

No mundo foram registrados em 2011 2,5 milhões de novos casos. No mundo, atualmente, segundo a ONU, 34,2 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV. Destas, 30,7 milhões são adultos e 16,7 milhões são mulheres. Greco disse que a dificuldade não é apenas conscientizar a população e grupos de risco para exames de sífilis, hepatites e HIV; O problema também são os médicos. Segundo ele, os funcionários de saúde não têm o hábito de pedir exames.