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Quem mais fala de Michelle Bolsonaro nas redes é a direita — e fala mal

Ex-primeira-dama vira alvo de críticas pesadas da própria base após crise com Flávio Bolsonaro, indica relatório Democracia em Xeque

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 12h17 | Atualizado em 3 jul 2026, 12h26
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Ninguém falou tanto sobre Michelle Bolsonaro (PL) nos últimos dias quanto a própria direita brasileira — e, na maioria dos casos, falou mal. Afastada do comando do PL Mulher e com a pré-candidatura ao Senado na berlinda, a ex-primeira-dama tornou-se alvo de um pesado “fogo amigo” bolsonarista nas redes sociais, segundo relatório publicado nesta sexta-feira, 3, pelo instituto Democracia em Xeque.

Conforme o monitoramento, o nome de Michelle Bolsonaro foi mencionado mais de 175.000 vezes nas redes sociais desde a quarta-feira passada, 24, quando publicou dois bombásticos vídeos com críticas ferrenhas ao enteado e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como mostra reportagem de VEJA, as publicações geraram intenso desconforto no bolsonarismo e podem ter impactos severos na campanha presidencial de Flávio.

Dentre os principais perfis com influência política no Brasil, Michelle foi tema de quase 5.000 publicações ao longo da semana, gerando 46,4 milhões de interações (entre curtidas, comentários e compartilhamentos). Deste volume, ao menos metade dos posts, por dia, vieram de atores políticos alinhados à direita e à extrema-direita.

Gráfico de barras empilhadas mostrando o perfil político diário de 24 de junho a 1º de julho de 2026 e o total geral. As categorias são Extrema-direita (azul), Esquerda (rosa) e Imprensa (amarelo). A Extrema-direita varia de 50% a 57%, a Esquerda de 18% a 27% e a Imprensa de 20% a 27%. O total geral é 53% Extrema-direita, 23% Esquerda e 24% Imprensa
Alinhamento político dos principais perfis que publicaram sobre Michelle Bolsonaro entre 24/06 e 01/07, segundo monitoramento Democracia em Xeque (Democracia em Xeque/Reprodução)
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Neste universo de publicações, predominou na direita a preocupação quanto ao impacto eleitoral do distanciamento entre Michelle e Flávio. Segundo o Democracia em Xeque, as principais narrativas acusam a ex-primeira-dama de se isolar do enteado para buscar um projeto político próprio, o que é classificado como um “erro político” que expõe o clã Bolsonaro e favorece a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Também dentro do bolsonarismo, a manobra de Michelle é vista como prejudicial às suas próprias chances de disputar o Senado pelo Distrito Federal — corrida que ela lidera nas pesquisas eleitorais mais recentes. Alguns atores da direita avaliam que a ex-primeira-dama estaria cercada de “maus conselheiros” interessados em enfraquecer Flávio Bolsonaro em prol de objetivos pessoais, citando a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

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Gráfico de barras empilhadas mostrando a composição temática de cada campo político (Extrema-direita, Esquerda e Imprensa) em porcentagem. As categorias temáticas são: Impacto no cenário eleitoral, Atrito Michelle e Flávio, Crise do Bolsonarismo, Saída do PL Mulher, Reação da base bolsonarista e Disputa do Ceará
Distribuição dos posts sobre Michelle Bolsonaro entre 24/06 e 01/07 por tema principal e alinhamento político do autor, conforme monitoramento Democracia em Xeque (Democracia em Xeque/Reprodução)

Pivô do racha no clã Bolsonaro, Ciro Gomes passa ileso pelo tiroteio digital

Chama à atenção que, da direita à esquerda, pouco se falou nas redes sociais sobre o maior pivô da crise no clã Bolsonaro: o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), que disputará o governo cearense em 2026 com apoio do PL. Articulada por Flávio, a aliança foi a gota d’água que transbordou o copo para Michelle, que defendia um endosso do partido ao senador Eduardo Girão (Novo).

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No período monitorado pelo Democracia em Xeque, a discussão envolvendo Ciro Gomes representou apenas 5% do volume de posts. Mesmo dentro da direita, que concentrou metade das publicações sobre o assunto, somente 5% das posts tinham o ex-governador como tema principal.

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