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Quem ganha e quem perde no troca-troca de partidos

Solidariedade, do sindicalista Paulinho da Força, já filiou 22 deputados federais; outros quinze parlamentares deixaram suas legendas rumo ao Pros

Tabela
Agora Antes Saldo
SDD 22 0 +22
Pros 15 0 +15
PP 40 39 +1
PRB 11 10 +1
PT 87 87 0
PTB 18 18 0
PCdoB 13 13 0
PV 10 10 0
PSOL 3 3 0
PTdoB 3 3 0
PMN 3 3 0
PRP 2 2 0
PHS 1 1 0
PSL 0 1 -1
PRTB 0 1 -1
PMDB 80 82 -2
DEM 25 27 -2
PSC 14 16 -2
PPS 8 10 -2
Sem partido 1 3 -2
PEN 0 2 -2
PSB 21 24 -3
PSD 40 44 -4
PSDB 44 49 -5
PR 32 37 -5
PDT 18 26 -8
Fonte: Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados

Terminada a temporada de troca-troca partidário para parlamentares que pretendem disputar as eleições do próximo ano, o recém-criado Solidariedade foi o maior beneficiado. Oficialmente, 22 deputados federais informaram à Mesa Diretora da Casa a migração para a legenda criada pelo líder da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Com a convocação de secretários estaduais que também se filiaram ao Solidariedade para que reassumam seus mandados como parlamentares, a sigla deve chegar a 26 deputados e ocupar a sexta posição entre as maiores bancadas na Câmara.

Na intensa movimentação, o Solidariedade contabiliza que foram 23 – e não 22 deputados – que aceitaram se filiar à sigla. No rearranjo político, o PDT, partido onde o próprio Paulinho construiu sua carreira política, teve a maior baixa entre deputados. Ao todo, oito parlamentares deixaram a legenda.

Principal derrotado no troca-troca entre as legendas, o PDT chegou a flertar com dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto, enviando emissários para negociar um potencial apoio político tanto com o socialista Eduardo Campos quanto com o tucano Aécio Neves. Favorita na corrida presidencial, a petista Dilma Rousseff detectou as movimentações e ofereceu o Ministério do Trabalho ao ex-secretário-geral do partido, Manoel Dias, aliado do presidente da legenda, Carlos Lupi.

Defenestrado da pasta após uma série de irregularidades, Lupi voltou a se aproximar do Planalto e hoje atribui as recentes baixas do PDT ao instinto de sobrevivência de cada parlamentar. Quando trata das articulações diretas de Paulo Pereira da Silva para desidratar o partido rumo ao Solidariedade, Lupi afirma que o desafeto utilizou de “oportunismo eleitoral” para criar a própria legenda e angariar parlamentares para seu guarda-chuva político.

“Eu relaciono esse troca-troca a oportunismo eleitoral puro. Nós já vivemos isso em outros momentos. É cada um olhando para o próprio umbigo”, diz Lupi. “O Paulinho sacaneou? Com certeza. Ele ficou durante dez anos [no PDT] para descobrir que o partido não serviu.”

Depois de contornar, pelo menos por ora, as insatisfações do PDT, o Palácio do Planalto, na última semana, em uma tentativa desesperada de evitar que oposicionistas possam ganhar força na disputa eleitoral de 2014, garantiu a manutenção dos atuais cargos ocupados por filiados ao Solidariedade. Com o partido nas mãos, Paulinho, porém, pretende apoiar o tucano Aécio Neves à presidência da República.

Líder do PSDB, o deputado Carlos Sampaio (SP) afirmou que as trocas de legendas devem beneficiar a oposição. “Mais de vinte deputados que estavam na base de sustentação do governo que migraram para a oposição. Temos um rearranjo de forças dentro do Congresso, e isso é muito mais favorável para a oposição. Sem contar que o próprio descontentamento do PMDB com as negociações é muito grande e não raras as vezes estamos ao lado do PMDB no plenário”, disse. “Aqueles que saíram da base saíram já sabendo que o Solidariedade vinha com perfil de oposição. Agregamos esses deputados e mais aqueles que estão no PSB, que passam a integrar, mais do que nunca, o campo da oposição.”

Dança das cadeiras – Também sofreram perdas expressivas o PMDB, o PR e o PSD, com seis parlamentares – entre deputados e senadores – cada um. No Senado, apenas dois senadores mudaram de legenda: Kátia Abreu, que deixou o PSD e se filiou ao PMDB, e Vicentinho Alves, que migrou do PR para o Solidariedade.

Embora o PSB tenha protagonizado no fim de semana a principal mudança no tabuleiro das eleições, com o anúncio da filiação da ex-senadora Marina Silva, o partido também perdeu nas mudanças partidárias: cinco deputados, conforme levantamento da Mesa Diretora da Câmara, abandonaram a sigla do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

“Eu era um passarinho, estava preso querendo provar a minha capacidade. No PSB eu não conseguiria fazer isso, eu estava atrofiado”, justifica o deputado Givaldo Carimbão, que deixou o PSB após cerca de vinte anos de filiação e agora ocupa a liderança do novato Pros (Partido Republicano da Ordem Social).

O prazo final para a troca de partidos políticos para aqueles que pretendem disputar as eleições terminou no último sábado, a exato um ano antes do pleito de 2014. Como as legendas, segundo a legislação eleitoral, têm até a segunda semana de outubro para encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as listas de seus filiados, são esperados pequenos ajustes no número final de parlamentares que aceitaram trocar suas agremiações.

Levantamento da Mesa Diretora da Câmara registra ainda que outros treze deputados federais deixaram suas legendas rumo ao Pros, embora a sigla afirme ter filiado 21. Até as 18h30 desta segunda-feira, a Casa informava a retração das bancadas do PMDB, PSDB e DEM.