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Quem é quem na morte de Patrícia Acioli

Por Da Redação 10 out 2011, 19h04

As investigações sobre a morte da juíza Patrícia Lourival Acioli trazem detalhes elucidativos sobre os papéis desempenhados por cada policial no planejamento e execução do crime. Nessa trama desvendada em pouco mais de um mês, 11 PMs estão envolvidos e tiveram participação ativa. O elo entre todos era o tenente Daniel Benitez, o autor da ideia de assassinar a magistrada. Acima dele, estava o então comandante do 7º BPM (São Gonçalo), Claudio Luiz Silva de Oliveira, que compactuou com os planos de dar fim à vida de Patrícia. Com a autorização de Oliveira, Benitez pôde começar a agir.

A juíza foi morta no dia 11 de agosto, às 23h55, em frente ao condomínio onde morava, em Piratininga, Niterói. A apuração dos fatos remete a outubro do ano passado, quando Oliveira assumiu o comando do batalhão. Ele chamou Benitez para chefiar o Posto de Patrulhamento Comunitário (PCC) que atuava nas imediações do bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo. Em fevereiro de 2011, Oliveira levou o seu braço-direito, Benitez, para liderar o Grupo de Ações Táticas (GAT) do mesmo batalhão. O tenente, por sua vez, deslocou o seu grupo do PCC para compor o GAT.

De fevereiro a agosto, o grupo se beneficiou de espólios de guerra, extorsão mediante sequestro, peculato, homicídios qualificados. A série de crimes cometidos gerava por mês de 10 a 12 mil reais à quadrilha composta pelos PMs do GAT. Quando Patrícia começou suas investigações sobre policiais desse grupamento e as primeiras prisões de policiais do batalhão de São Gonçalo foram decretadas, chegou a hora de eliminá-la. E é ai que cada PM desempenhou uma função.

Cláudio Luis Silva de Oliveira O tenente- coronel Oliveira, após ouvir o plano de Benitez para matar Patrícia, disse: “Você estaria me fazendo um grande favor”. Na denúncia do Ministério Público consta que Oliveira concorreu de forma eficaz para a prática do homicídio ao prestar “auxílio moral à execução”.

O Ministério Público afirmou ainda que o tenente-coronel “aderiu ao propósito criminoso que lhe foi apresentado, passando, então, a instigar, estimular, ditar e orientar o denunciado Daniel Benitez sobre a forma como a empreitada criminosa deveria ser desenvolvida”.

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Daniel Benitez e Sérgio Junior – Os dois aguardaram a saída de Patrícia do Fórum de São Gonçalo e a seguiram em uma moto até a sua casa, em Niterói. Na porta do condomínio, efetuaram disparos contra a magistrada. Benitez foi quem coordenou a identificação do local, arregimentou os outros policiais e planejou como seria o assassinato.

Júnior revelou detalhes da morte de Patrícia à polícia para ter o beneficio da delação premiada. Desde então, a sua família está sendo escoltada por policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).

Jovanis Falcão – No dia da morte da juíza, Falcão encorajou Benitez e Junior a cometer o crime, segundo informou o MP. Falcão era o terceiro policial que estava no fórum à espera da saída de Patrícia. Em um pálio vinho, ele seguiu a magistrada, dando apoio à motocicleta. Falcão esteve na cola do carro de Patrícia até o bairro de Columbandê, em São Gonçalo. Depois, deixou Benitez e Júnior agirem sozinhos. Falcão é denunciado ainda por ter se apropriado de “espólio de guerra”, como armas e munições e até os veículos, usados no assassinato.

Jeferson de Araújo – De acordo com denúncia do MP, ele prestou “auxílio moral e material” para a realização do crime. Ele ajudou no planejamento e fez o levantamento sobre a residência de Patrícia. Araújo também é denunciado por participação em diligências cujo objetivo era a obtenção de materiais ilícitos.

Cinco denunciados – Charles Tavares, Junior Medeiros, Alex Ribeiro, Carlos Adílio e Sammy Quintanilha aderiram ao plano de matar Patrícia, estimularam e instigaram para que o crime fosse cometido. Também tinham por costume se aproveitar das apreensões feitas durante as incursões em favelas.

Handerson Lents – É o único policial militar que não pertencia ao 7º BPM. Lents era do 12º BPM (Niterói) e deu as informações sobre o endereço de Patrícia. No dia 11 de julho de 2011, um mês antes de a juíza ser morta, ele levou Benitz, Junior e Araújo até a casa da magistrada para reconhecerem o terreno e prepararem a emboscada.

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