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Quem é a única brasileira entre os dez melhores estudantes do mundo

Ana Júlia Monteiro está entre os finalistas do Global Student Prize 2021, prêmio que é considerado ser o “Nobel da Educação”

Por Nathalie Hanna 18 out 2021, 20h16

A estudante Ana Júlia Monteiro, de 18 anos, é a única brasileira entre os dez finalistas do Chegg.org Global Student Prize 2021, um novo prêmio de US $100.000 a ser concedido a um aluno que teve um impacto na aprendizagem, na vida de seus colegas e na sociedade. Ana Júlia foi selecionada entre mais de 3.500 indicações e candidaturas de 94 países e, no dia 10 de novembro, sairá o resultado final do grande prêmio na sede da UNESCO em Paris, na França. 

Segundo ela, estar entre os dez finalistas é um sonho sendo realizado, pois desta forma ela poderá trazer visibilidade para o país e o estado que mora. “Fiquei extremamente feliz quando soube do resultado. Com esta seleção, eu posso mostrar para o mundo que é possível chegar longe investindo na educação e, principalmente, conseguir desenvolver projetos para as cidades”, conta.

Ana Júlia é de Maceió, Alagoas, está no terceiro ano do Ensino Médio e estuda na Escola Industrial de Educação Básica do SESI Abelardo Lopes. O desejo de ajudar a cidade sempre foi um anseio para a jovem. Ela começou a se interessar por robótica aos 12 anos e já participou de mais de 20 campeonatos.

Aos 13 anos, ela foi co-fundadora da primeira equipe de competição de robótica da FIRST LEGO League da escola, que representou a região e a cultura no cenário nacional e internacional. Após dois anos, a equipe foi a grande campeã do 1º lugar na etapa regional e avançou para a etapa nacional. Vestidos de cangaceiros em um ato de protesto contra a xenofobia, eles foram premiados como o 10º melhor time geral do Brasil e o 1º lugar em Processo de Pesquisa.

Estudantes vestidos de cangaceiros na FIRST LEGO League
Estudantes vestidos de cangaceiros na FIRST LEGO League/Arquivo pessoal

 

O ato de Ana Júlia chamou atenção e serviu como um incentivo para outras escolas e alunos da cidade, que começaram a buscar aulas e a fundar clubes de robótica. Com o tamanho da demanda, a alagoana criou um guia de programação de 100 páginas para quem procurava participar das competições, com todas as explicações das inovações que ela havia criado.

Ana Júlia e sua equipe desenvolveram dois projetos que ganharam destaque. Um deles foi o “Ecosururu”, uma telha sustentável que os estudantes fizeram com as cascas do sururu, um molusco bastante comum na região. Eles transformaram a casca em pó e misturaram com o cimento, o que tornou as telhas mais resistentes e, de quebra, ajudavam a retirar lixo da lagoa. O outro projeto foi o “Aerador sustentável”, criado em 2016, um mecanismo feito para aumentar a produção leiteira em áreas de subsistência, oxigenando a água do gado com energia eólica. 

Ana Júlia quer deixar um legado que se orgulhe mas, para isso, pretende estudar fora e trazer perspectivas diferentes do mundo todo para o Brasil. “Para mudar a realidade que vivemos, é necessário termos uma visão global. Não adianta nada viver aqui e não ter concepções diversificadas Por isso quero estudar nos Estados Unidos, mas quero voltar para o Brasil e fazer a mudança. Sou muito patriota, tenho muito orgulho do meu país”, ressalta a alagoana.

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