Quem é a médica solta pela Justiça do MS suspeita de envolvimento com fraudes na casa dos R$ 27 milhões
Olívia Paroschi Jafar foi presa no começo do mês e pagou fiança; defesa afirma que ela 'nunca exerceu qualquer função de direção das empresas investigadas'
A médica Olívia Paroschi Jafar, suspeita de fazer parte de um esquema criminoso que desviou cerca de 27 milhões de reais da saúde do Mato Grosso do Sul, foi solta no último final de semana mediante pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica. Ela e outros investigados foram parar atrás das grades no começo de junho.
As investigações do Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campo Grande apontam que os investigados “se valiam da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo”.
Segundo informações da imprensa local, Olívia é a quarta investigada do grupo a ser liberado. Ela é médica generalista e exerce a profissão desde dezembro de 2024, há menos de dois anos. A operação foi batizada de Gutenberg, nome do criador da imprensa, por conta dos livros que o grupo vendia para viabilizar o esquema criminoso.
Os advogados que defendem Olívia afirmam que ela “não exercia qualquer papel de direção, comando ou gestão na suposta organização criminosa e não mantinha vínculo com a as pessoas investigadas, muitas das quais sequer conhecia, além de sua mãe e irmãos” (leia a íntegra da nota ao final).
Leia a íntegra da nota da defesa
A Defesa de Olívia Paroschi Jafar, representada pelos advogados Estella Gisele Bauermeister de Oliveira e Lucas Gertz Rysdyk Azambuja Jacarandá , recebe com serenidade a decisão proferida pelo Juízo do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande/MS, que revogou a prisão preventiva, substituindo-a por medidas cautelares diversas da prisão. A Justiça reconheceu expressamente que Olivia Paroschi Jafar não integra o núcleo que chefia a organização criminosa, entendimento que fundamentou a substituição de sua prisão preventiva por medidas cautelares.
Após assumirmos recentemente a defesa da investigada, com criteriosa análise dos autos e apresentação de manifestação técnica, um dos fundamentos acolhidos pelo Juízo das Garantias foi o reconhecimento expresso de que “ela não integra o núcleo de chefia da organização”, circunstância que, juntamente com os demais elementos dos autos, fundamentou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas, dentre elas o monitoramento eletrônico.
A Defesa também destaca que Olivia, é médica, e sempre desenvolveu suas atividades profissionais exclusivamente na medicina, profissão da qual retira, de forma digna e independente, o seu sustento. Nunca exerceu qualquer função de direção ou administração das empresas investigadas, possuindo vida profissional, renda e residência próprias.
A análise técnica dos autos realizada pela defesa evidenciou que Olivia possui situação absolutamente distinta da atribuída aos investigados. Não exercia qualquer papel de direção, comando ou gestão na suposta organização criminosa e não mantinha vínculo com a as pessoas investigadas, muitas das quais sequer conhecia, além de sua mãe e irmãos.
A defesa também esclarece que o contrato firmado com a Santa Casa, amplamente divulgado pela mídia, não possui qualquer relação com os fatos investigados. Trata-se exclusivamente do instrumento utilizado para formalizar a prestação de serviços médicos em regime de plantão, por meio de pessoa jurídica, modalidade amplamente adotada por hospitais e profissionais da medicina para contratação e remuneração de seus serviços.
A defesa seguirá atuando para demonstrar, no curso do processo, a efetiva individualização da conduta atribuída à investigada, com confiança de que o regular desenvolvimento da investigação permitirá o completo esclarecimento dos fatos, sempre com observância do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência”.
Estella Gisele Bauermeister de Oliveira e Lucas Gertz Rysdyk Azambuja Jacarandá , advogados.







