Clique e assine a partir de 9,90/mês

Queda de árvore aumenta em todas as regiões de SP

Vila Mariana, Pinheiros e Butantã são os bairros recordistas em ocorrências

Por Da redação - Atualizado em 10 abr 2018, 17h35 - Publicado em 22 mar 2018, 10h04

Mesmo com chuvas menos volumosas em 2017, a quantidade de quedas de árvores registradas na cidade de São Paulo foi a maior dos últimos cinco anos: 4.119 casos, o que equivalente a onze por dia. Dados da Prefeitura mostram que, apesar de as ocorrências se concentrarem na Zona Oeste, 30 das 32 áreas das prefeituras regionais tiveram aumento nas quedas.

A tempestade que atingiu a cidade na terça-feira matou três pessoas, derrubou 137 árvores e causou 24 desabamentos. A Vila Mariana, na Zona Sul, onde choveu 85 milímetros, foi a recordista de ocorrências nesta semana: 27. No compilado desde 2013, o bairro só fica atrás de Pinheiros e Butantã.

Uma análise os últimos cinco anos revela que em Perus, na Zona Norte, os seis casos de 2013 saltaram para 51 em 2017. Em Ermelino Matarazzo, na região Leste, passou de dez para 71. Capela do Socorro, no extremo Sul da cidade,  liderou o ranking de ocorrências em 2017.

Para o botânico Ricardo Cardim, o poder público tem de entender a importância da arborização para a saúde pública. “Não se trata de um elemento decorativo. É uma ferramenta de saúde pública porque reduz o barulho, deixa a cidade com menos poeira, aumenta a umidade do ar, recicla os gases tóxicos e tem impacto sobre enchentes”, afirma. “A cidade cresceu de forma caótica e agora precisa encontrar o espaço adequado para as árvores.”

Continua após a publicidade

Chove menos
Não dá para atribuir o aumento de quedas somente às chuvas. A precipitação medida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em São Paulo em 2017 mostra que o patamar (1.547 milímetros) foi menor do que no ano anterior (1.569) e em 2015 (1.896).

Ao mesmo tempo em que houve mais quedas, a administração municipal não elevou substancialmente as podas nas rua. de 2016 para 2017, o crescimento foi de 7%. A Prefeitura tem a exclusividade do serviço de análise e retirada de galhos, quando é confirmada a necessidade de podas em árvores localizadas em logradouros públicos.

Historicamente, a capital não cuida bem das suas árvores, segundo Cardim. “Isso infelizmente vem de muitos anos. Sequer temos contabilizada a quantidade delas”, diz. Estima-se que há 650 mil árvores apenas nas vias da cidade. “Julgo que não há uma rua na cidade que tenha 100% das suas árvores bem cuidadas. Há podas drásticas por causa da fiação elétrica que podem trazer mais problema, por possibilitar a contaminação da planta por fungos, por exemplo, e causar quedas posteriormente”, diz.

Podas

A gestão do prefeito João Doria (PSDB) disse que neste mês foi concluído o pregão para contratar novas equipes de poda e áreas verdes, que começam a atuar em toda a cidade na próxima semana. “Este processo não era realizado desde 2014, o que inviabilizou, desde janeiro de 2015, a contratação de novos funcionários. A atual gestão retomou o processo licitatório em 2017 e, após a liberação do Tribunal de Contas do Município, está aumentando de 34 para cem as equipes, que somam cerca de mil funcionários”, informou.

Continua após a publicidade

A Prefeitura disse ainda ter firmado convênio com a Eletropaulo que prevê 200 mil podas em áreas com fiação até o fim deste ano. Em fevereiro, foi criado um grupo de trabalho para discutir melhorias sobre a arborização.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade