Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Quatro capitais têm greve de ônibus nesta quarta-feira

Em Florianópolis e São Luís, 100% da frota está paralisada. Em Salvador, ônibus foram apedrejados. No Rio, paralisação da categoria é esvaziada

Por Da Redação 28 Maio 2014, 07h49

Atualizado às 12h05

Greves de motoristas e cobradores afetam a circulação de ônibus em quatro capitais nesta quarta-feira: em São Luís, no Maranhão, e Florianópolis, Santa Catarina, 100% da frota de ônibus está paralisada. Em Salvador, na Bahia, apenas 10% da frota de 2.500 coletivos estão nas ruas. Pelo menos 2,5 milhões de pessoas são afetadas pelas paralisações nas três cidades. Já no Rio de Janeiro, onde uma paralisação de 24 horas foi anunciada na noite de terça, os ônibus circulam em número reduzido. Na capital baiana, os coletivos que deixaram as garagens estão circulando com escolta de viaturas da Polícia Militar (PM). Apesar disso, cinco veículos da empresa São Cristóvão que saíram da garagem pararam ao chegar ao aeroporto de Salvador e foram apedrejados. No local, os motoristas se reuniram e decidiram voltar para a empresa. Eles disseram que receberam ligações com ameaças.

De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Transporte (Semut) de Salvador, os veículos começaram a circular às 7h30, em comboios. Quatro ônibus da empresa Rio Vermelho, que circulam na região da orla, foram alvos de vandalismo. Segundo a Semut, há previsão de que o total de veículos circulando aumente no decorrer do dia, mas o número exato da frota não foi definido. A Secretaria afirma que atos de violência são isolados.

No terceiro dia de greve dos rodoviários, as ruas da capital baiana amanheceram vazias. Micro-ônibus e vans realizam o transporte alternativo. Mototaxistas aproveitam a falta de ônibus para intensificar o atendimento à população. A paralisação atrapalha o cotidiano de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Os rodoviários pedem 16% de aumento salarial; reajuste do vale-alimentação; inclusão de um dependente no plano de saúde e implantação do plano odontológico. O comércio no centro de Salvador é duramente afetado pela greve dos rodoviários. Lojas estão fechadas e comerciantes alegam que, sem ônibus, não há funcionários nem clientes.

Leia também:

Greves no transporte público ameaçam cinco capitais

Continua após a publicidade

Os motoristas e cobradores que quiseram trabalhar, no entanto, tiveram cuidados especiais. Parte dos ônibus tem rodoviários trabalhando sem uniforme, para evitar constrangimentos em piquetes montados pelos grevistas. A decisão de paralisação ocorreu durante uma rápida assembleia iniciada no fim da tarde de terça-feira, com presença de cerca de 150 trabalhadores. O grupo não é representado pelo Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sintraturb), que não apoia a greve.

O objetivo dos dissidentes era tentar uma paralisação total da frota, como houve nos dias 8, 13 e 14. Os trabalhadores que aderiram à greve não se comprometeram sequer com a manutenção de um efetivo mínimo para circulação de 30% da frota, e alegou, ao fim da assembleia, que esse compromisso seria “exclusivo do Sintraturb”. O poder dos grevistas sobre a categoria, no entanto, parece ter se reduzido desde a última paralisação. O total de ônibus depredados nos três dias de ônibus parados passou de 500, segundo o Rio Ônibus.

O sindicato patronal informou, esta manhã, que pretende entrar com pedido no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) para que o movimento grevista seja considerado “abusivo”, pois não houve, segundo o Rio Ônibus, respeito aos princípios e requisitos da lei de greve, como aviso com 72 horas de antecedência. O acordo firmado entre empregadores e rodoviários prevê reajuste salarial de 10%, retroativo a 1º de abril, e aumento de 40% no valor do auxílio alimentação.

Santa Catarina – A greve na capital catarinense começou nesta quarta e afeta pelo menos 250.000 pessoas, segundo informações do jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Os grevistas justificam a paralisação afirmando que pretendem evitar demissões de cobradores por causa do novo sistema automatizado de catracas que deverá ser instalado em até seis meses. Já a prefeitura garante que os profissionais não perderão seus empregos. A prefeitura disponibilizou 200 vans escolares para a população durante a greve.

Maranhão – Já em São Luís, os ônibus deixaram de circular completamente na terça-feira. Os profissionais do setor, contudo, estão em greve desde a última quinta. Pelo menos 750.000 pessoas são prejudicadas pela paralisação. A categoria, que conta com 4.500 integrantes, alega que não houve avanço nas negociações entre trabalhadores e patrões e por isso decidiu cruzar definitivamente os braços para pressionar os empresários do setor a apresentarem uma proposta de reajuste salarial.

Continua após a publicidade
Publicidade