Quase metade dos paulistas tem muito medo de ser assaltada, diz Datafolha
Falta de policiamento lidera as queixas sobre segurança pública, enquanto a sensação de insegurança recua em relação a 2022
Quase metade dos moradores do estado de São Paulo afirma sentir muito medo de ser vítima de assalto, embora a percepção de insegurança tenha diminuído nos últimos quatro anos. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 8, mostra que 47% dos paulistas relatam grande temor de sofrer roubos nas ruas, ao mesmo tempo em que a falta de policiamento continua sendo apontada como o principal problema da segurança pública no estado.
O levantamento ouviu 1.608 pessoas em 71 municípios paulistas entre os dias 1º e 3 de julho. Apesar de o receio da violência permanecer alto, os números indicam uma melhora em relação a abril de 2022, quando 57% dos entrevistados diziam sentir muito medo de serem assaltados. Outros 29% afirmam ter um pouco de medo, enquanto 24% dizem não sentir receio desse tipo de crime.
A ausência de policiais nas ruas permanece no topo das preocupações dos paulistas. Segundo a pesquisa, 20% dos entrevistados afirmaram a falta de efetivo como o principal gargalo da segurança pública. O percentual é inferior ao registrado em 2022, quando essa percepção era compartilhada por 24% dos moradores, mas continua acima de qualquer outro problema citado pelos entrevistados.
Na sequência aparecem os assaltos, mencionados por 11% dos paulistas, acima dos 8% registrados há quatro anos. O tráfico de drogas também ganhou relevância no período, passando de 4% para 8% das respostas. Outros entrevistados citaram a sensação geral de insegurança (7%), a impunidade e leis que não funcionam (6%), além da atuação de facções criminosas e do crime organizado (4%) e do despreparo das polícias (4%).
A preocupação com o efetivo policial atravessa diferentes perfis políticos. Entre os eleitores do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 19% consideram a falta de policiamento o principal problema da segurança pública. Entre os apoiadores do pré-candidato petista Fernando Haddad, esse índice sobe para 25%. A diferença entre homens e mulheres também é pequena: 18% deles e 22% delas compartilham dessa avaliação.
A pesquisa mostra ainda que a cobrança é mais intensa na capital paulista e na região metropolitana, onde 24% dos moradores apontam a ausência de policiais como principal desafio da área. No interior, esse percentual cai para 17%. O problema também é percebido com maior intensidade pela população entre 35 e 44 anos, faixa em que 24% fazem essa avaliação.
Além da redução do medo de assaltos nas ruas, o Datafolha identificou queda em outros indicadores de percepção da violência. O percentual de paulistas que dizem sentir muito medo de serem assaltados em semáforos passou de 54% para 45% desde 2022. Também recuou o temor de ser vítima de sequestro (33%), de bala perdida (35%) e de roubos dentro de casa (30%), todos em patamares inferiores aos registrados no levantamento anterior.
A melhora acompanha a evolução dos indicadores criminais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O balanço mais recente mostra redução na maior parte dos crimes em comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e maio deste ano, o estado registrou 970 homicídios, a primeira vez que o número de assassinatos ficou abaixo de mil nos cinco primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2001.
Apesar desse cenário, a pesquisa indica que a queda da criminalidade ainda não eliminou a percepção de que faltam policiais nas ruas. Os dados da própria Secretaria da Segurança Pública reforçam essa preocupação. Em maio deste ano, a Polícia Militar contava com 79.603 agentes na ativa, contingente inferior ao registrado em 2001, quando a corporação possuía 84.404 policiais. O maior efetivo da história recente foi alcançado em 2006, quando o estado ultrapassou a marca de 90 mil militares.







