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Quase metade dos paulistas tem muito medo de ser assaltada, diz Datafolha

Falta de policiamento lidera as queixas sobre segurança pública, enquanto a sensação de insegurança recua em relação a 2022

Por Laila Nery Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2026, 10h45 | Atualizado em 10 jul 2026, 14h33
Quase metade dos paulistas tem muito medo de ser assaltada, diz Datafolha Priorizar nos meus resultados Google

Quase metade dos moradores do estado de São Paulo afirma sentir muito medo de ser vítima de assalto, embora a percepção de insegurança tenha diminuído nos últimos quatro anos. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 8, mostra que 47% dos paulistas relatam grande temor de sofrer roubos nas ruas, ao mesmo tempo em que a falta de policiamento continua sendo apontada como o principal problema da segurança pública no estado.

O levantamento ouviu 1.608 pessoas em 71 municípios paulistas entre os dias 1º e 3 de julho. Apesar de o receio da violência permanecer alto, os números indicam uma melhora em relação a abril de 2022, quando 57% dos entrevistados diziam sentir muito medo de serem assaltados. Outros 29% afirmam ter um pouco de medo, enquanto 24% dizem não sentir receio desse tipo de crime.

A ausência de policiais nas ruas permanece no topo das preocupações dos paulistas. Segundo a pesquisa, 20% dos entrevistados afirmaram a falta de efetivo como o principal gargalo da segurança pública. O percentual é inferior ao registrado em 2022, quando essa percepção era compartilhada por 24% dos moradores, mas continua acima de qualquer outro problema citado pelos entrevistados.

Na sequência aparecem os assaltos, mencionados por 11% dos paulistas, acima dos 8% registrados há quatro anos. O tráfico de drogas também ganhou relevância no período, passando de 4% para 8% das respostas. Outros entrevistados citaram a sensação geral de insegurança (7%), a impunidade e leis que não funcionam (6%), além da atuação de facções criminosas e do crime organizado (4%) e do despreparo das polícias (4%).

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A preocupação com o efetivo policial atravessa diferentes perfis políticos. Entre os eleitores do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 19% consideram a falta de policiamento o principal problema da segurança pública. Entre os apoiadores do pré-candidato petista Fernando Haddad, esse índice sobe para 25%. A diferença entre homens e mulheres também é pequena: 18% deles e 22% delas compartilham dessa avaliação.

A pesquisa mostra ainda que a cobrança é mais intensa na capital paulista e na região metropolitana, onde 24% dos moradores apontam a ausência de policiais como principal desafio da área. No interior, esse percentual cai para 17%. O problema também é percebido com maior intensidade pela população entre 35 e 44 anos, faixa em que 24% fazem essa avaliação.

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Além da redução do medo de assaltos nas ruas, o Datafolha identificou queda em outros indicadores de percepção da violência. O percentual de paulistas que dizem sentir muito medo de serem assaltados em semáforos passou de 54% para 45% desde 2022. Também recuou o temor de ser vítima de sequestro (33%), de bala perdida (35%) e de roubos dentro de casa (30%), todos em patamares inferiores aos registrados no levantamento anterior.

A melhora acompanha a evolução dos indicadores criminais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O balanço mais recente mostra redução na maior parte dos crimes em comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e maio deste ano, o estado registrou 970 homicídios, a primeira vez que o número de assassinatos ficou abaixo de mil nos cinco primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2001.

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Apesar desse cenário, a pesquisa indica que a queda da criminalidade ainda não eliminou a percepção de que faltam policiais nas ruas. Os dados da própria Secretaria da Segurança Pública reforçam essa preocupação. Em maio deste ano, a Polícia Militar contava com 79.603 agentes na ativa, contingente inferior ao registrado em 2001, quando a corporação possuía 84.404 policiais. O maior efetivo da história recente foi alcançado em 2006, quando o estado ultrapassou a marca de 90 mil militares.

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