Quadrilha que vende dados pessoais para golpistas é alvo da polícia em seis estados
Grupo teve lucro milionário nos últimos anos com venda de dossiês sobre milhões de brasileiros, indica investigação policial no DF
Um grupo suspeito de obter lucros milionários com a venda de dados pessoais foi alvo de uma operação policial nesta quinta-feira, 24, em seis estados brasileiros. A polícia identificou treze integrantes investigados por roubar informações sobre cidadãos brasileiros e revender a outros criminosos, pela internet, para aplicar golpes digitais.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pelas investigações, a quadrilha é suspeita de faturar ao menos 7 milhões de reais entre março de 2021 e março de 2026, sendo 4 milhões de reais apenas no ano passado. Ao todo, os policiais cumpriram treze mandados de prisão temporária e busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Piauí e Pernambuco.
O inquérito identificou uma base de dados com centenas de milhões de CPFs, CNPJs, endereços, nomes dos pais e até processos judiciais relativos a milhões de brasileiros. O grupo conseguia as informações pessoais a partir de vazamentos e invasões de sistemas de governo, conselhos profissionais e empresas de telefonia, depois disponibilizava os dossiês em uma plataforma online com cobrança de mensalidade dos usuários.
A investigação aponta que os integrantes da quadrilha tinham funções específicas: programadores, gestores financeiros, hackers e ladrões de dados, golpistas e operadores de contas de laranjas para lavagem do dinheiro, incluindo o uso de criptomoedas e empresas de fachada. A polícia afirma que o grupo estaria preparando o lançamento de uma segunda plataforma para expandir ainda mais o esquema criminoso.
Conforme a Polícia Civil, foram apreendidos computadores, celulares, documentos e armas nos endereços ligados ao grupo, e a Justiça autorizou o bloqueio de 7 milhões de reais em bens, incluindo imóveis de luxo, carros de alto padrão e uma embarcação.
Os crimes investigados incluem estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos digitais e receptação, com penas somadas que podem chegar a mais de trinta e seis anos de prisão.





