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Quadrilha mantinha 80 estrangeiros em alojamentos no DF

Operação da Polícia Federal apura ação de agência que traficava pessoas de Bangladesh para trabalhar em canteiros de obras do Distrito Federal

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a Operação Liberdade para apurar a ação de uma agência que traficava pessoas de Bangladesh para trabalhar no Distrito Federal. Após um ano de investigações, os agentes descobriram que os estrangeiros eram convencidos a vir para o país com a falsa promessa de empregos com salário de 1.000 a 1.500 dólares mensais. Eles tinham de pagar aos agenciadores cerca de 10.000 dólares para terem acesso aos documentos necessários para a imigração ilegal.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta manhã, foram identificados oitenta estrangeiros que moravam em seis alojamentos de Samambaia, cidade localizada a cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília. De acordo com o delegado Dennis Cali, algumas residências chegavam a abrigar mais de vinte pessoas no mesmo imóvel e ofereciam condições precárias de higiene e alimentação.

Segundo o delegado, participariam do esquema frigoríficos, lava-jatos e empresas de construção civil. A polícia investiga se esses estrangeiros também prestaram serviços em canteiros de obras do Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Segundo o delegado, eles não tinham vínculo direto com empresas que tocam obras do programa federal. No entanto, é comum empreiteiras contratadas pelo governo terceirizarem parte do serviço para micros e pequenas empresas.

Por trás do esquema, atuavam seis pessoas. Os “coiotes”, como são conhecidos os aliciadores, recebiam entre 1.000 e 1.500 dólares por estrangeiro que trazia para o país. Para convencê-los a fazer a imigração, eles prometiam empregos principalmente em frigoríficos, para trabalhar em um corte específico dos muçulmanos. Como faltavam empregos, eles também eram realocados em setores da construção civil e lava-jatos. A maioria deles, porém, está desempregada.

Segundo o delegado, os estrangeiros não estão presos e, mesmo com as condições precárias em que vivem, não querem voltar para o país de origem – além de não terem dinheiro para bancar o regresso. Além disso, eles recusaram o abrigo oferecido pela Polícia Federal.

Rotas – As investigações mostraram que os estrangeiros chegaram a Brasília por três rotas principais: Guiana Inglesa – Roraima, Bolívia – Corumbá e Peru – Brasília. “Esses trabalhadores, quando ingressam no país, entram com o pedido de refúgio e conseguem a regularização da situação migratória, com direito a receber carteira de trabalho e CPF”, explica o delegado Dennis Cali.

A polícia continuará investigando o esquema para saber se ele se configura em tráfico de pessoas. De acordo com o delegado do caso, os envolvidos, por enquanto, podem ser enquadrados por introdução clandestina de estrangeiros, com pena de um a dois anos. No entanto, por não haver mandado de prisão, ninguém foi preso.