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Qatar Airways impede embarque de passageira após comentário sobre terrorismo

Pai de Thais Buratto disse "ainda bem que não acharam que você é terrorista" na fila do check-in; empresa alega "questões de segurança"

Por Da Redação 26 ago 2013, 11h21

Uma brasileira foi barrada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, antes do embarque em um voo da Qatar Airways, na madrugada deste domingo. O motivo: seu pai, que não viajaria com ela, teria feito um comentário sobre terrorismo na fila do check-in.

Thais Buratto da Silva, de 24 anos, recém-formada em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), viajaria para participar de um congresso em Bali, na Indonésia. Após a piada do pai, ela foi informada, ainda na fila do check-in, de que não poderia embarcar. A jovem afirma que funcionários da Qatar Airways proibiram o embarque depois de o pai dela, o economista Renato Camargo da Silva, ter feito uma brincadeira: “Ainda bem que não acharam que você é terrorista”, teria dito Silva.

A passageira tentou explicar que fora um mal-entendido. Segundo ela, os funcionários da companhia aérea não aceitaram a explicação e também não quiseram revistar sua bagagem.

“Foi para mim (o comentário). Não foi alto. Foi uma brincadeira entre nós, um comentário que talvez não precisasse ter sido feito, mas foi feito para mim”, diz ela. Seu pai se queixou que a abordagem da empresa foi grosseira e ressaltou que a filha não fez nenhuma insinuação sobre terrorismo. “Se alguém tem de ser punido pelo comentário sou eu, e não ela”, disse o pai. De acordo com a jovem, a passagem custou cerca de 6 000 reais e foi paga pela USP.

Procurada, a Qatar Airways informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o veto à passageira se deveu a “questões de segurança”.

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Polícia Federal – Thais argumenta que chegou a pedir à companhia que chamasse a Polícia Federal (PF), mas os funcionários teriam se recusado. A PF em Guarulhos afirmou neste domingo que não encontrou nenhuma notificação sobre o caso.

Nesta segunda-feira, Thais se reuniu pela primeira vez com seu advogado e disse que vai esperar o pronunciamento da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre o ocorrido para decidir se abrirá um processo contra a Qatar Airways.

Por meio de nota, a ANAC informou que, segundo a regulamentação, em situações envolvendo passageiro indisciplinado, o operador aéreo é autorizado a impedir o seu embarque. Mas, caso a empresa entenda o ato como ameaça à aviação civil, “o procedimento correto é reportar o fato ao Operador Aeroportuário e demais órgãos públicos, dentre os quais a PF, conforme suas ações de contingência.”

A ANAC informou, ainda, que não se pronuncia sobre casos pontuais sem a devida apuração dos fatos, o que deve ocorrer com os “reportes da empresa aérea e da Polícia Federal, ou mesmo a manifestação do passageiro.”

(Com Estadão Conteúdo)

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