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PT x PMDB: Dutra nega “guerra”, mas disputa avança

"Houve um ruído", diz presidente petista, ao falar sobre partilha de cargos; Palocci costurou discurso de paz

Por Marina Dias, Luciana Marques 11 jan 2011, 20h29

Petistas e peemedebistas tentaram demonstrar, nesta terça-feira, que há um clima amistoso entre as duas legendas, apesar da já conhecida disputa de poder que marca o início da gestão de Dilma Rousseff. O empenho foi notado em discursos e gestos de paz, orquestrados, que partiram de ambos os lados. No entanto, por trás da aparente trégua, perdura a guerra pelos cargos de segundo escalão – estatais e agências reguladoras – que movimenta cifras bilionárias.

No último movimento do dia, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, tentou minimizar a crise. Apesar de admitir que o clima não é de total tranquilidade, negou que exista uma guerra. “Não há pacificação porque não houve guerra, houve um ruído”, avaliou. Para ele, cabe aos ministros indicarem seus subordinados com base em critérios técnicos: “É natural que os ministros queiram colocar pessoas de confiança e com competência técnica para ocupar cargos importantes, mas isso não vai implicar em nenhuma crise no governo”. Dutra disse que os aliados terão espaço no segundo escalão.

As declarações foram dadas horas após uma reunião, convocada pelo ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para costurar o discurso de paz e acalmar peemedebistas, que ficaram irritados com a decisão da presidente de negar assento ao partido na coordenação política – o núcleo duro do governo. Palocci vai, aos poucos, imprimindo sua marca no Planalto e consolidando-se como principal interlocutor político de Dilma. Presentes, o vice-presidente Michel Temer, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

Ficou acertado que as duas legendas deverão tentar – pelo menos – decidir os impasses internamente. O esforço é para mudar a imagem, diante da opinião pública, de que uma batalha por espaço e poder tomou conta dos primeiros dez dias de governo. E para que petistas e peemedebistas parem, ao menos diante dos olhos da imprensa, de trocar farpas. “As posições foram esclarecidas e ajustadas entre PT e PMDB. Ambos agirão como governo, como são”, disse o líder do PMDB.

Divisão – Segundo Henrique Eduardo Alves, a divisão de cargos do segundo escalão continua suspensa até fevereiro, quando Câmara e Senado elegem os presidentes das Casas. No entanto, o próprio deputado, em sua passagem pela capital federal, tinha uma reunião marcada com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta terça. Sabe-se que a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) é uma das principais reivindicações do PMDB.

A crise entre os dois partidos teve início quando o líderes do PMDB, sentindo-se excluídos da partilha de postos do segundo escalão, subiram o tom e ameaçaram votar contra o salário mínimo de 540 reais, aprovado no fim do governo Lula. A briga esquentou ainda mais depois que o governo publicou no Diário Oficial da União os nomes de novos secretários e presidentes de órgãos, como Correios e Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo). O comando de conhecidos “feudos” peemedebistas foi para as mãos do PT.

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