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PSB diz que críticas a Marina refletem preconceito

Em Brasília, coordenadores da campanha disseram que a candidata só está sendo questionada sobre mudanças no programa de governo, envolvendo o casamento gay, por ser evangélica

Por Marcela Mattos, de Brasília e Talita Fernandes - 3 set 2014, 00h25

No dia em que o PT voltou toda a sua artilharia contra Marina Silva, a equipe da candidata à presidência pelo PSB avaliou as críticas feitas sobre a alteração no programa de governo, que recuou de capítulo que apoia o casamento gay, como um preconceito pelo fato de a ex-senadora ser evangélica. “Pegam no pé da Marina por puro preconceito com a religião dela”, afirmou Pedro Ivo, um dos coordenadores da campanha e braço-direito da candidata. “As pessoas não entendem nem o que é ser evangélico. Essa é apenas uma ação para desconstruir Marina”, continuou. Pedro Ivo e outros coordenadores participaram de homenagem feita na Câmara dos Deputados a Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13.

Versão inicial do programa de Marina surpreendeu a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) ao trazer o apoio à propostas “em defesa do casamento civil igualitário” e à “aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil”. Menos de 24 horas após a publicação do documento, a campanha socialista recuou e reescreveu o capítulo, prevendo apenas a garantia dos “direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo”. “Todo mundo promete criminalizar a homofobia, e nós não nos opomos a isso. Agora, perguntem aos adversários sobre o casamento gay. Ninguém fala abertamente sobre isso”, ponderou Pedro Ivo.

A mudança no texto original levou o coordenador do segmento LGBT do partido, Luciano Freitas, a abandonar campanha – é a terceira baixa desde que Marina assumiu a cabeça da chapa do PSB. O grupo ligado a Marina Silva minimiza a saída de Freitas, diz que ele sequer foi apoiado pelo congresso do partido para continuar no cargo em 2015 e que largou o projeto eleitoral para dedicar-se ao mestrado.

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O vice da chapa do PSB, deputado Beto Albuquerque, também reagiu às críticas feitas ao programa do PSB, reafirmando o que a ex-senadora disse em São Paulo. “Só recebe crítica o programa que existe. Tem muita gente criticando que sequer tem programa, como é o caso da Dilma e do Aécio”, disse. Albuquerque voltou a defender que a criação de uma lei específica sobre os direitos LGBT cabe ao Legislativo, e não ao presidente da República, e classificou como um “oportunismo eleitoral” a proposta agora encampada pela presidente Dilma de criminalizar a homofobia. “Esse projeto de lei está tramitando no Congresso desde 2006 e o governo não mobilizou a base e a agenda pela aprovação. A presidente trata do assunto com oportunismo”, afirmou o vice de Marina Silva.

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Albuquerque disse ainda que Dilma teve um “choque espiritual” três meses antes das eleições. O Palácio do Planalto decidiu desengavetar a chamada Lei Geral das Religiões, cuja tramitação está há mais de um ano parada no Senado. O texto estabelece para instituições religiosas diversos benefícios – inclusive tributários.

Não conheço – Em São Paulo, onde participou de sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo, Marina alegou desconhecer Freitas ao ser questionada sobre sua saída da campanha. Para responder à pergunta, a candidata pediu ajuda a Maurício Rands, coordenador do programa de governo que assistia à entrevista na plateia. “Luciano Freitas?”, perguntou para Rands, a quem coube explicar que o militante do PSB já estava de saída da campanha antes da alteração do programa. “Não conheço a militância do PSB como conheço a da Rede. Rands está dizendo que ele já ia ser substituído por outro coordenador”, disse a ex-senadora tentando se justificar.

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