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Protesto contra GP de Fórmula 1 é reprimido no Bahrein

A polícia do Bahrein lançou neste domingo bombas de gás lacrimogêneo para dispersar em duas cidades xiitas grupos de manifestantes que protestavam contra a disputa de um Grande Prêmio de Fórmula 1 no reino, segundo explicaram representantes do protesto.

Dezenas de jovens reuniram-se nas cidades de Abu Saiba, oeste de Manamá, e de Tubli, ao sul da capital, informou em sua página no Facebook a “Coalizão de Jovens para a Revolução de 14 de Fevereiro”.

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e deteve vários deles. Os jovens intensificaram sua campanha para conseguir a anulação do Grande Prêmio de Fórmula 1, previsto para 20 a 22 de abril no circuito de Sakhir, sudoeste de Manamá.

As autoridades renunciaram no último ano a organizar a corrida por conta dos distúrbios políticos que ocorriam no país.

O reino, dirigido por uma dinastia sunita, conseguiu abafar em março de 2011 um movimento de protesto impulsionado por xiitas, majoritários no país.

A repressão da época provocou 35 mortes, cinco de membros das forças de ordem e outras cinco de presos torturados, segundo uma comissão independente de investigação.

Os protestos foram retomados em fevereiro, um ano depois, e as cidades xiitas do Bahrein vivem quase diariamente marchas e protestos.

“Rejeitamos organizar uma corrida que rebaixa os sacrifícios de nossos filhos e ignora nossos sofrimentos”, afirmou um jovem, que leu um texto diante de crianças que levavam bandeiras do Bahrein, segundo uma série de vídeos publicados na internet.

A campanha contra o Grande Prêmio de Fórmula 1 conseguiu um eco importante nas redes sociais, especialmente no Twitter, sob lemas como “Pare, estou sangrando”.

O grande chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, afirmou recentemente que estes movimentos não afetariam a corrida deste ano, seguindo os planos previstos.