Proposta do PL fica na gaveta enquanto fim da escala 6×1 avança no Senado
Apresentada há três meses, PEC bolsonarista está parada na mesma comissão onde ganha fôlego o projeto do governo Lula
O avanço da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 acende o sinal de alerta na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto a proposta do governo Lula ganha tração no Senado, podendo ser votada já nas próximas semanas, o texto alternativo que foi enviado pelo PL há quase três meses não saiu da gaveta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A base da proposta bolsonarista (PEC 12/2026) é a criação de um novo regime salarial com base nas horas trabalhadas e não nos dias da semana, o que permitiria, em tese, a negociação de jornadas flexíveis entre o funcionário e a empresa. Em contraste, o projeto do governo Lula (PEC 221/2019) extingue completamente a possibilidade de seis dias de trabalho contratuais por semana.
A PEC da oposição, no entanto, está parada na CCJ desde que foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) em 28 de maio — um dia antes, a Câmara havia aprovado a PEC do governo por acachapantes 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já na última sexta-feira, 21, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deu sinal verde ao avanço da proposta e nomeou o senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado estratégico do Planalto, como relator do texto na CCJ.
O impulso à proposta do PT, que ganhou fôlego após um esforço de reaproximação entre Alcolumbre e Lula, desagrada à campanha bolsonarista. Nos bastidores, a queixa é de que o presidente do Senado já havia se comprometido a segurar a discussão até depois das eleições para evitar a “contaminação” do debate.
Do lado da oposição, o temor é de que o fim da 6×1 — pauta apoiada por 69% dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest de julho — dê mais musculatura à candidatura de Lula à reeleição. Com a “contraproposta” de Flávio acumulando poeira na CCJ, a tendência é que os parlamentares bolsonaristas movam uma força-tarefa para obstruir o avanço da PEC no Senado até, no mínimo, passarem as eleições.






