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Promotora ameaça processar advogada por desacato

Durante depoimento de perita, defensora de Lindemberg Alves sugeriu para a juíza Milena Dias que ela deveria voltar a estudar

Por Cida Alves e Carolina Freitas, de Santo André 14 fev 2012, 15h51

No interrogatário da perita Dairse Aparecida Pereira Lopes, no segundo dia de julgamento do caso Eloá, nesta terça-feira, a promotora Daniela Hashimoto ameaçou processar por desacato a advogada do acusado, Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad. A defensora sugeriu em plena sessão que a juíza deveria voltar a estudar.

Os ânimos se exaltaram durante uma discussão técnica. A defesa questionava insistentemente a diferença do número do registro da arma usada por Lindemberg, um revólver calibre 32, em documentos do processo. Aos que assistiam à cena a impressão é que a estratégia era desqualificar a documentação.

Na fala da Promotoria, a defesa começou a interferir. A juíza, então, fez um alerta. Disse a Ana Lúcia que ela já tinha tido a vez dela de fazer perguntas e que poderia voltar a se manifestar depois. A advogada alegou que estava defendendo o “princípio da verdade real” (termo jurídico segundo o qual se pode deixar questões formais de lado para mostrar ao júri fatos considerados esclarecedores). A juíza reagiu. “O conceito não é exatamente esse”, disse a magistrada. “Então a senhora tem que voltar a estudar”, respondeu a advogada.

Um intenso burburinho na plateia foi ouvido. Antes mesmo que a juíza esboçasse qualquer reação, a promotora se antecipou e ameaçou processar a defensora de Lindemberg: “Quero alertá-la que, dentro do tribunal, a senhora pode ser responsabilizada por atitude de desacato. E, no meu entendimento, o que aconteceu aqui foi um desacato”.

Apesar da confusão, o depoimento continuou. “A juíza está sendo tolerante com as atitudes da advogada porque compreende que é difícil defender o indefensável e porque ela quer que o júri seja concluído”, avaliou o advogado José Beraldo, assistente da acusação.

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Olho no olho – O episódio ocorreu no mesmo dia em que a advogada protagonizou uma das atitudes mais controversas e inesperadas do julgamento até agora. Depois de ameaçar pedir a anulação do júri e abandonar o Fórum de Santo André caso a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, não fosse arrolada como testemunha de defesa, Ana Lúcia Assad voltou atrás e Ana Cristina não falará mais pela defesa. Nesta terça-feira, a advogada chegou a ser vaiada por pessoas que acompanham a decisão sobre o futuro de Lindemberg.

Embora dissimulada, a estratégia da defesa ficou evidente. A advogada convocou Ana Cristina como testemunha para que a mãe de Eloá não pudesse estar na plateia durante o primeiro dia de julgamento e, assim, não demonstrasse sentimentos que pudessem comover os jurados. Porém, agora que foi dispensada, Ana Cristina disse que acompanhará o julgamento até o fim.

“Vou continuar até o último momento, até que Deus me dê força”, afirmou. “Eu me senti humilhada por não poder falar tudo aquilo que eu queria. Olhar no olho do Lindemberg e saber porque ele matou a minha filha. Ele não tinha motivo para fazer isso”.

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