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Promotor: “Mizael tem vários álibis, mas ninguém apareceu”

Rodrigo Merli ressaltou que não foi encontrada nenhuma das pessoas que podem comprovar que réu não estava na cena do crime; sentença sai hoje

Por Da Redação 14 mar 2013, 12h28

O quarto e decisivo dia de julgamento do caso Mércia Nakashima começou nesta manhã com a promotoria apresentando aos jurados argumentos para desmontar as versões da defesa, que tenta inocentar Mizael Bispo, de 43 anos, ex-namorado da vítima na época do crime. “Ele [Mizael] tem vários álibis, mas nenhum aparece aqui para comprovar o que ele diz. Depois nós que não temos provas”, afirmou o promotor Rodrigo Merli diante das cinco mulheres e dois homens que decidirão sobre a culpa ou inocência do réu. Mizael nega o crime.

O ex-policial afirma que estava com uma prostituta dentro de seu carro em frente ao Hospital Central de Guarulhos na noite que Mércia desapareceu. Para justificar que esteve rondando a casa da avó de Mércia no dia do crime, como indicou o rastreamento de seu celular, Mizael disse que foi à casa de um amigo. Além disso, chegou a dizer que já tinha uma nova namorada na Bahia. “A prostituta ninguém acha, o amigo ninguém acha, a namoradinha que ia casar na Bahia ninguém acha”, destacou o promotor. “Se essa prostituta existisse, ela já estaria aqui há muito tempo”, completou. O promotor também lembrou que foram apresentadas provas de que Mizael tentou forjar o álibi da prostituta com a ajuda de uma moça, que depois procurou a polícia.

Em sua sustentação oral, a promotoria se focou em desconstruir os pontos que a defesa deve tentar levantar dúvidas nos jurados. Merli afirmou que, apesar da terra encontrada no sapato de Mizael ser diferente da que há na represa de Nazaré Paulista, onde foi achado o corpo de Mércia, há outros três elementos da cena do crime encontrados no sapato do réu: algas, sangue e fragmentos ósseos. “Toda a prova técnica coloca Mizael na cena do crime”, afirmou o promotor. “A defesa pode dizer que a alga é de outra represa. Mas o senhor Mizael falou que foi em outra represa?”, adiantou-se o promotor. Merli também pediu aos peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo que processem o réu e seus advogados por sugerirem que as algas foram “provas plantadas” no caso.

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A acusação lembrou ainda do telefone “frio” que Mizael usou no dia 23 de maio de 2010 para se comunicar por dezenove vezes com Evandro Bezerra, acusado de ser coautor do crime. “Eu não falo dezenove vezes nem com a minha mulher”, comparou o promotor. Após o desaparecimento de Mércia, tanto esse telefone como o de Evandro deixaram de ser usados. “Além disso, no período do crime, todos os telefones de Mizael e Evandro ficam incomunicáveis. Por quê? Estavam matando a vítima em Nazaré Paulista. Isso é lógico”. A promotoria lembrou que Evandro confessou a participação no crime e delatou Mizael.

Versões – Para derrubar a argumentação de Mizael de que foi acusado por uma perseguição pessoal do delegado Antonio de Olim, o promotor apresentou itens dos autos que mostram que todas as versões levantadas pela defesa – como a de sequestro e latrocínio – foram investigadas pela polícia e nada se confirmou. “Um dos suspeitos inclusive havia morrido uma semana antes do desaparecimento da Mércia”.

A defesa tentou intervir na sustentação do promotor quando ele afirmou que “além de levarem sua vida, também quiseram levar honra” de Mércia ao afirmarem que ela seria traficante. “Gostaria que o senhor apontasse onde foi dito isso”, interferiu o advogado de defesa Samir Haddad Junior. Para contestar a declaração dada por Mizael nesta quarta-feira de que desejava ser julgado por um júri de mulheres, o promotor lembrou que os advogados de defesa recusaram três juradas mulheres no sorteio da segunda-feira sem dar nenhuma justificativa.

Mizael ouviu boa parte da sustentação do promotor de cabeça baixa e assistiu ao advogado da família, Alexandre de Sá, mostrar fotos de Mércia e e-mails que Mizael enviou para a vítima. Enquanto o promotor se ateve às questões técnicas, ficou a cargo do assistente de acusação explorar o lado emotivo do caso para sensibilizar os jurados.

Após um intervalo, o júri será retomado às 13h, com a sustentação oral da defesa de Mizael, que tem duas horas para falar aos jurados. Em seguida, a promotoria pode pedir uma réplica, que dá direito à defesa de tréplica. Ao final do debate, os jurados vão para sala secreta onde decidirão o veredito.

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