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“Não contratei um exterminador”, diz mulher que pagou para morrer

Contratado não cumpriu acordo para matá-la e ela quer o "pagamento" de volta. O homem diz que é vítima de uma grande mentira

Por Hugo Marques Atualizado em 17 fev 2017, 11h29 - Publicado em 17 fev 2017, 08h00

A história tem ingredientes de realismo mágico. A professora H., 52 anos, conta que vivia um momento difícil em 2013.  Sua saúde estava muito abalada. Assistente de direção de uma escola pública de Brasília, ela enfrentava uma depressão crônica quando tomou a decisão de acabar com a própria vida. Primeiro, tentou, sem sucesso, o suicídio. Depois, sem coragem para outras investidas, decidiu contratar alguém para matá-la. A professora afirma que encontrou um homem que aceitou cometer o crime em troca de um carro. O acordo foi fechado numa feira. O matador recebeu uma procuração para transferir o veículo para seu nome.  Só que ele não cumpriu sua parte no trato.  O caso foi parar na Justiça. Ela quer o carro de volta. “Eu contratei um ladrão, não um profissional, um exterminador”, disse a professora a VEJA.

H. mora em uma cidade-satélite de Brasília, é divorciada e vive com os filhos. Ela diz que superou a depressão depois de muitas sessões de terapia e já voltou ao trabalho. Conta que, em 2013, desesperada, foi até uma feira perto de sua casa. Lá, encontrou o segurança M. de 32 anos. A negociação não foi fácil .“Eu falei que queria morrer e ele disse: ‘posso te ajudar’”.  Ela ofereceu o carro ao rapaz para que ele a matasse.  Mas ele pediu mais. H., então, comprou dois televisores, um videogame, uma máquina de lavar, dois smartphones e dois climatizadores. O pacto sinistro foi selado, mas o segurança desapareceu  depois de receber o “pagamento”. Essa, ao menos, é a versão da professora.

O segurança M. conta uma história bem diferente. A VEJA, ele afirmou que foi procurado pela professora que, inicialmente, queria comprar um celular. A conversa evoluiu e, no fim, ela disse que estava precisando de dinheiro e que, na verdade, queria vender seu carro. O segurança conta que pagou o valor do ágio em dinheiro. Fechado o negócio, a professora se arrependeu e pediu o carro de volta. O rapaz diz que tinha negociado a venda do veículo e admite que a contratante comprou eletroeletrônicos para ele. “Por mais burro que seja um bandido, como que você vai sair com a pessoa que te contratou para matá-la, vai ao cartório com a pessoa umas três vezes, vai ao shopping center cheio de câmeras, vai às Casas Bahia com ela?”, questiona M.

“Minha mulher queria se separar de mim, pensando que eu tinha caso com ela. Hoje sofro de pressão alta. Nunca mais arrumei emprego, hoje vivo de bicos”, reclama o segurança. “Creio que houve um arrependimento dela de vender o carro. Não sei se ela estava envolvida com alguém e não tinha como se explicar. Ela queria me devolver o dinheiro em parcelas e eu recusei”. Na semana passada, a Justiça rejeitou o pedido da professora para ter o carro de volta e para anular o suposto acordo mórbido. Ela vai recorrer da decisão. E ele anunciou que vai processá-la por calúnia.

 

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