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Procurado pela Interpol, brasileiro investigado por integrar grupo neonazista é preso na Itália

Sentença obtida por VEJA descreve João Guilherme Corrêa como um dos líderes da Crew 38, grupo ligado à rede neonazista internacional Hammerskin Nation

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jun 2026, 18h02 | Atualizado em 28 jun 2026, 10h58
Procurado pela Interpol, brasileiro investigado por integrar grupo neonazista é preso na Itália Priorizar nos meus resultados Google

O brasileiro João Guilherme Corrêa, procurado pela Interpol, foi preso neste sábado, 27, na cidade de Pavia, no norte da Itália, em uma operação das autoridades italianas com apoio da Polícia Federal.

Segundo informações divulgadas pela PF, ele tinha um mandado de prisão preventiva emitido pela 7ª Vara Federal de Florianópolis (SC) desde o ano passado. A sentença do mandado, à qual VEJA teve acesso, aponta Corrêa como líder do grupo neonazista Crew 38 e um dos líderes no Brasil da rede internacional neonazista Hammerskin Nation, criada por supremacistas brancos nos Estados Unidos e com ramificações em diversos países, incluindo a Itália.

O investigado, de acordo com a polícia, é alvo de apurações por prática de discriminação racial, crime previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989. Ele também é acusado de integrar, promover, financiar ou constituir organização criminosa, conduta tipificada no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013.

Em 2022, João Guilherme Correa havia sido preso por integrar uma célula neonazista interestadual em Santa Catarina. Antes, em 2009, ele já tinha acusações pela participação em um duplo homicídio que vitimou um casal na região metropolitana de Curitiba.

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O homem era alvo da Difusão Vermelha da Interpol, um alerta enviado a outros países para informar que ele é procurado pela Justiça e pode ser detido até ser entregue ao país onde responde ao processo.

A captura contou com a atuação da Adidância da PF em Roma, responsável pela cooperação entre as forças policiais dos dois países. Com a detenção, teve início o processo para que o investigado seja enviado ao Brasil. Segundo a Polícia Federal, os trâmites relacionados ao pedido de extradição já estão em andamento.

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Recrutamento, encontros e propaganda pró-Hitler: como agia grupo neonazista

A sentença da 7ª Vara Federal de Florianópolis aponta que a Crew 38 promovia encontros presenciais para difundir a ideologia neonazista e recrutar novos integrantes.

Um desses eventos ocorreu em 14 de novembro de 2022, em uma propriedade rural em São Pedro de Alcântara (SC), onde, segundo a decisão judicial, os participantes se reuniram com o propósito de “praticarem, incitarem e cultuarem a discriminação e preconceito de raça, cor, etnia e religião“, além de exaltar o nazismo e a chamada “supremacia branca“.

Durante a operação, nove integrantes foram encontrados no local. A investigação afirma que o grupo utilizava um canal no Telegram para compartilhar conteúdo neonazista, disseminar mensagens racistas contra negros e judeus e organizar encontros.

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Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou imagens e vídeos de Adolf Hitler, fotografias de bandeiras com a suástica, conversas de teor racista e outros materiais ligados ao nazismo. Alguns dos investigados também tinham tatuagens com símbolos nazistas.

No caso de João Guilherme, a sentença registra que, além de imagens relacionadas ao regime nazista em seu celular, ele carregava um exemplar do livro “The Turner Diaries”, cujo enredo envolve um golpe de Estado liderado nos Estados Unidos pelos brancos.

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O documento também aponta que ele se apresentava, desde 2017, como líder de “um pequeno grupo de camaradas nacionalistas brancos”.

A decisão ainda afirma que os integrantes da organização viviam em diferentes estados — Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais — e mantinham contato frequente por meio de reuniões e confraternizações, com o objetivo de expandir a atuação do grupo.

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Além do material ligado ao neonazismo, investigadores encontraram arquivos com conteúdo pornográfico infantojuvenil em dispositivos eletrônicos de alguns dos membros da organização.

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