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Prisões aumentam pressão em área operacional da Vale em MG

Investigadores focam no aspecto mais técnico do monitoramento de segurança da barragem que rompeu em Brumadinho

As prisões realizadas nesta sexta-feira, 15, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais, abrem uma nova linha de investigação para o rompimento da barragem I da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho. Além do foco inicial, mais amplo, direcionado à segurança desse tipo de barragem (por alteamento a montante) e ao nível de conhecimento dos riscos, os investigadores passam a se apoiar também no aspecto mais técnico do monitoramento de segurança da estrutura.

Com isso, a pressão na sede da mineradora, no Rio, se enfraquece, e se instala na operação em Minas, cuja sede fica em Nova Lima, a menos de 20 quilômetros da mina em Brumadinho.

Dois dos empregados da empresa presos, o engenheiro geotécnico Hélio Cerqueira e o técnico da área de inspeção e monitoramento de barragem e pilha da mina, Artur Bastos, são protagonistas de uma série de e-mails trocados na véspera da tragédia e divulgados esta semana pela própria Vale. As mensagens mostram que havia falhas na leitura de cinco piezômetros, equipamentos usados para medir a pressão no interior das barragens.

Cerqueira se mostra bastante preocupado com as circunstâncias e pede prioridade. Deixa claro, porém, que as práticas de medição, de uma forma geral, estava com problemas. “Ainda não temos leituras para o mês de janeiro/19 para as barragens I, Vargem Grande, e B3/B4 e só temos 5 dias úteis até a virada do mês. O risco de multa do DNPM (antigo nome da Agência Nacional de Mineração) é muito alto”, afirma o engenheiro, que trabalha na sede mineira da mineradora, em Nova Lima.

A Vale contratou uma auditoria para avaliar os problemas nos piezômetros relatados nas mensagens. A conclusão da auditoria, realizada após o rompimento, é que havia uma falha na leitura dos equipamentos, provocada por problemas de configuração. “A incorreção dos dados visualizados já havia sido identificada, motivo pelo qual a consulente (Vale) requereu, advertiu e reiterou aos seus fornecedores na solução do problema”, declaram os auditores do Instituto Brasileiro de peritos em Comércio Eletrônico e Telemática (IBPtech), que focaram a análise na transmissão e análise dos dados, e não o funcionamento e instalação dos equipamentos.

Em entrevista realizada nesta semana, o gerente-executivo de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão da mineradora, Lúcio Cavalli, garantiu que os problemas com cinco piezômetros reportados nos e-mails na véspera não poderiam causar a tragédia. “Não houve erro de leitura dos piezômetros, mas de configuração de placa. Se as informações (dos piezômetros) estivessem corretas, barragem teria água jorrando”, disse.