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Prisão do traficante Nem: a ‘carteirada’ desta vez não funcionou

Policiais militares desconfiaram do falso cônsul e não aceitaram oferta de suborno por parte dos advogados do bandido, que agora estão presos como ele

Por Cecília Ritto e Leo Pinheiro 10 nov 2011, 13h21

O traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, foi preso graças a uma exceção em uma tradição das abordagens policiais. A guarnição que ordenou a parada do Toyota Corolla preto onde estavam Nem e seus advogados-comparsas não cedeu a uma “carteirada” de um falso “cônsul honorário da República do Congo”, como se apresentou um dos ocupantes do veículo. A abordagem do carro ocorreu na noite de quarta-feira, na Gávea, após PMs desconfiarem do peso da mala que deixava a traseira do Corolla estranhamente arriada.

De acordo com o cabo Marcelo Martins, que comandava a viatura do Batalhão de Choque onde estavam outros três policiais, os três ocupantes do Corolla apresentaram credenciais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

No momento em que um dos homens disse ser cônsul, um dos policiais desconfiou. O carro não tinha a placa azul usada por diplomatas e o trio não apresentou documentos de representação diplomática. “O policial acreditou na ocorrência e superou obstáculos”, afirmou o comandante do batalhão de choque, tenente coronel Fábio Souza, lembrando do valor oferecido aos PMs. Os ocupantes do carro queriam ser levados para a 15ª DP, onde, segundo eles, permitiriam a revista do automóvel.

O grupo seguiu para a Lagoa, um ponto um pouco mais distante da Rocinha, e parou na altura do Lagoon. Neste ponto, eles esperavam a chegada de uma viatura de supervisão da PM, para acompanhar o traslado. Os policiais, nesse momento, decidiram que, se havia realmente um cônsul entre os suspeitos, eles deveriam ser levados para a Polícia Federal. No Lagoon, um dos ocupantes do carro ofereceu 20 mil reais aos policiais para que o porta-malas não fosse aberto. “Determine o valor para liberar para passagem”, teria dito o cônsul.

O comboio seguiu, e na altura do Clube Naval, o motorista do Corolla novamente parou o carro. Neste momento, outro ocupante do carro ofereceu 1 milhão de reais aos policiais. Os policiais não aceitaram, e os homens disseram que só abririam a mala na delegacia. Na presença de um policial federal, foi descoberto o último esconderijo de Nem. “Essa é a essência da Polícia: o PM honesto que acredita no seu trabalho”, afirmou o Chefe do Estado Maior Geral Operacional da Polícia Militar, coronel Alberto Pinheiro Neto, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira.

Rendição- Na noite de quarta-feira chegou ao alto comando da PM a informação de que o traficante Nem estava interessado em se render. O pedido de negociação para entrega foi passado à corporação por duas fontes diferentes. Ainda assim, o cerco da polícia continuou no entorno da Rocinha e foi graças a essa permanência da fiscalização dos bandidos fugitivos que Nem acabou preso.

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