Primeiro debate em São Paulo revela Haddad sem estratégia para abalar Tarcísio
Petista tem o desafio de convencer o eleitor a mudar de projeto, não reelegendo o atual mandatário; já governador aposta na continuidade da gestão
A primeira rodada de debates para os governos estaduais reforçou, neste domingo, alguns cenários das pesquisas eleitorais.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas lidera a corrida para o Palácio dos Bandeirantes com relativa folga em relação ao petista Fernando Haddad.
Na Quaest de fim de julho, por exemplo, Tarcísio soma 41% das intenções de voto, contra 26% do ex-ministro da Fazenda do governo Lula.
Já no levantamento Ideia/ACSP, divulgado nesta segunda, Freitas lidera a disputa com 50,6% das intenções de voto no primeiro turno. Haddad tem 33,6%.
Essa superioridade numérica reflete, na visão de analistas de institutos de pesquisa, uma disputa desafiadora para o PT em São Paulo, diante de um cenário de continuidade estabelecido pela avaliação do governo de Freitas e pelos dados das pesquisas.
Foi essa condição que tornou o debate mais confortável para Freitas, neste domingo, na Band. Enquanto Haddad tentava apontar fragilidades da atual gestão, o governador paulista se postou a defender a continuidade do trabalho.
“Ele quer implodir tudo, começar do zero. Esse é o grande risco que temos”, disse Freitas, diante das críticas de Haddad sobre falhas na segurança pública, na educação e na economia paulista.
Além de batalhar para transformar uma eleição com pinta de continuidade num movimento por mudança, algo que não parece comover o eleitorado paulista, Haddad precisa mostrar que tem vida própria como candidato.
Nesse sentido, a insistência em falar de questões do passado, reverberar velhas ações de Lula e insistir no discurso sobre falhas temperado por uma salada de números fragilizou a postura de Haddad no debate.
Governos devem sempre melhorar. O eleitor sabe que a gestão atual de Freitas não é perfeita, mas o que se espera de um debate é que o candidato desafiante mostre um novo caminho, um novo sonho ao eleitor, que faça trocar a realidade atual por um risco de algo superior. “Não é só dizer que vai fazer melhor. É preciso pegar o eleitor pela mão e levá-lo até esse lugar desconhecido. Mostrar o que será diferente, se o eleitor desistir de mais quatro anos de Tarcísio”, diz um dirigente de instituto de pesquisa.
Não foi o que Haddad fez neste primeiro debate, ao promover uma espécie de balanço de gestões ao lado de Freitas, valorizando ações do governo Lula e criticando resultados do adversário.
De modo positivo, a troca de ideias no evento em São Paulo se distanciou bastante de outros confrontos vistos em estados importantes como o Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes, o líder nas pesquisas, sequer compareceu, e no Paraná, onde Sergio Moro também faltou.
Haddad se lançou numa missão inglória em São Paulo. Além de enfrentar um candidato bolsonarista num estado majoritariamente conservador, o petista está na disputa para dar um palanque a Lula no principal estado do país. Ironicamente, o principal desafio do ex-chefe da Fazenda seja defender o legado do governo petista no Planalto, com casos de corrupção e um desarranjo fiscal que já compromete a próxima gestão do futuro presidente a ser eleito.
Para mostrar que deseja e acredita numa derrota de Freitas, Haddad precisa avançar nas propostas, fazer o eleitor sonhar. Já Freitas tem como desafio manter sua base mobilizada, diante do bom início de campanha, algo que pode gerar corpo mole e erros que custem caro em outubro.







