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Preso por espancar mulher no Rio tem prisão preventiva decretada

O juiz também determinou o encaminhamento de Vinicius Batista Serra para avaliação psiquiátrica

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 18 fev 2019, 23h22 - Publicado em 18 fev 2019, 21h43

O juiz Alex Quaresma Ravache converteu em preventiva a prisão em flagrante de Vinicius Batista Serra, acusado de agredir a empresária Elaine Perez Caparroz. O magistrado tomou a decisão nesta segunda-feira, 18, em sessão na Central de Audiência de Custódia (Ceac) do Tribunal de Justiça do Rio. Ravache também determinou o encaminhamento de Serra para avaliação psiquiátrica.

Vinícius Serra é acusado de ter espancado Elaine por quatro horas. Ele foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio, punido com mais de quatro anos de prisão. O preso e Elaine, depois de se conhecerem pela internet, se encontraram pela primeira vez. Estavam no apartamento dela, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Vinícius afirmou ter bebido vinho, dormido e, ao acordar, teria “surtado” e agredido a empresária. Ao entrar no prédio, porém, ele declarou na portaria um nome falso.

Na audiência, policiais que prenderam o estudante contaram que encontraram a vítima gravemente ferida. Havia sangue espalhado pelo apartamento. Um segurança do condomínio disse ter acionado a polícia. Também relatou que Vinicius foi detido na portaria do prédio. Tinha as roupas manchadas de sangue.

De acordo com o relato de Elaine para o irmão Rogério Peres Caparroz, ela e Vinícius se conheceram em uma rede social e estavam conversando há oito meses. O primeiro encontro dos dois foi no sábado, quando a moça o convidou para jantar em seu apartamento, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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“Eles já conversavam há oito meses. Ela o acompanhava na rede social, tinha amigos em comum, se sentiu à vontade para encontrá-lo. Comprou queijos e vinhos para recebê-lo e conversar”, contou Rogério. Como foi ficando tarde, Vinícius pediu para dormir no apartamento da empresária, a abraçou e pediu que ela dormisse com a cabeça em seu peito. “Ela estava há um ano sem ninguém, achou que seria a chance de estar com um cara legal.”

Elaine acordou sendo agredida violentamente. A sessão de tortura durou cerca de quatro horas, segundo o irmão da vítima. “Ela gritava: ‘Para, para pelo amor de Deus’, mas ele continuava batendo, xingando, mordendo, esmurrando ela”.

Os gritos de Elaine acabaram chamando a atenção de vizinhos e dos porteiros. Quando conseguiram entrar no apartamento, encontraram a mulher desacordada. Vinícius tentou escapar, mas foi detido na portaria. A polícia chegou em seguida e o prendeu em flagrante.

A empresária está internada em estado grave na UTI do Hospital Casa de Portugal, no centro do Rio, e terá de passar por cirurgias reparadoras por causa de fraturas graves, trauma de pulmão e dos rins.

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“Cada vez que eu vou lá e olho para ela, não reconheço a minha irmã; ele a desfigurou completamente”, contou Rogério. “Ela está com fraturas em toda a face – no nariz, no globo ocular, maxilar, dentes. Além disso, está com trauma de pulmão e pode evoluir para uma insuficiência renal. Os braços dela estão cheios de mordidas.”

O advogado foi levado para a Cadeia Pública Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Segundo o delegado Rodrigo Freitas de Oliveira, da 16ª Delegacia de Polícia, na Barra, na Zona Oeste, pela gravidade das agressões a conclusão é de que o acusado tentou matar Elaine. O delegado considera ainda que o agressor é perigoso.

O filho de Elaine, o lutador Rayron Gracie, usou seu perfil no Instagram para se declarar à mãe. “Te amo, mãe”, escreveu. Mensagens de apoio foram enviadas à mulher pelas redes sociais.

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Com a prisão preventiva, Vinicius Batista Serra pode continuar detido até o seu julgamento. Com isso, não há prazo para que ele seja colocado em liberdade.

Passagem pela polícia

Em 8 de fevereiro de 2016 Vinicius Batista Serra agrediu o irmão, que é deficiente, segundo denúncia apresentada à polícia pelo próprio pai, que naquela ocasião também levou um golpe no rosto.

Segundo o registro policial, por volta das 2h30 o pai acordou ao ouvir gritos no quarto dos filhos. Ao chegar lá, viu Vinicius agredindo o irmão com golpes de jiu-jitsu. Ao tentar separar os filhos, o pai chegou a levar um golpe no rosto.

O agressor acusava o irmão de ter pego R$ 1.200 dele que haviam desaparecido. Mais tarde se descobriu que o dinheiro estava em outro local e não havia sido recolhido pelo irmão. A investigação acabou arquivada depois que o pai desistiu de acusar o filho.

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