Presidente, diretor, gerente e mecânico: quem são os indiciados por mortes no acidente da Voepass
Queda de aeronave matou 62 pessoas em agosto de 2024, sendo a segunda maior catástrofe aérea desde o acidente da TAM em Congonhas em 2007
A Polícia Federal de São Paulo concluiu nesta quinta-feira, 6, a investigação sobre o acidente aéreo da Voepass que, em agosto de 2024, matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior do estado. Ao todo, dezesseis pessoas foram indiciadas pelos crimes de atentado contra a segurança de transporte aéreo e de falsidade ideológica. Entre elas está o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho (veja a lista completa no final). Agora, o caso irá para o Ministério Público, que vai decidir se oferece denúncia criminal contra os investigados.
O relatório da Polícia Federal afirma que o acidente não foi provocado por um elemento isolado, mas por “reiteradas condutas de omissão na manutenção dos sistemas de degelo, potencializadas por uma cultura de gestão da companhia aérea que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança operacional”. O acidente da Voepass é a maior catástrofe aérea brasileira depois do voo 3054 da TAM, que matou 199 pessoas em julho de 2007, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A oitiva de testemunhas e as investigações técnicas sobre a aeronave apontaram que havia um problema crônico do sistema antigelo, conhecido por várias pessoas da empresa. Dois mecânicos da Voepass disseram à PF que eram intimidados por um dos gerentes da Voepass caso reportassem as falhas. Um deles disse aos investigadores que Juliano Flores, um dos indiciados, ameaçava demiti-lo e dizia “não esquece que você tem um filho doente”.
O relatório da PF diz que a “cultura de não reporte” era “uma prática institucionalizada, prolongada e de conhecimento das esferas gerenciais, com o objetivo de burlar a fiscalização e evitar a inoperância comercial da frota”. Algumas falhas chegaram a ser reportadas verbalmente entre os funcionários, mas não registradas de acordo com os protocolos da aviação — o que impede, por exemplo, a fiscalização pelos órgãos de controle.
Veja a lista completa dos indiciados
Dezesseis pessoas foram indiciadas, incluindo o presidente da Voepass, quatro diretores e três gerentes. Para a Polícia Federal, eles cometeram os crimes de atentado contra a segurança de transporte aéreo e de falsidade ideológica. A pena máxima desse primeiro crime é de cinco anos, mas ela é dobrada caso ocorra alguma morte. A investigação apontou que vários indiciados praticaram esses dois crimes mais de uma vez, o que pode elevar as penas, caso sejam denunciados e condenados.
1. Edson Serra Martins, comandante de voo (indicado apenas por falsidade ideológica)
2. Luciano Alves de Macedo, comandante de voo
3. Oderlino de Campos Figueiredo, despachante operacional
4. John Major Viana, despachante operacional
5. Marcos Hiroyuki Sato, despachante operacional
6. Alex de Souza Leandro, mecânico
7. William Schmidt Agatz, gerente do Centro de Controle Operacional da Voepass
8. Juliano Flores Pacheco, gerente do Maintenance Control Center
9. Raphael Limongi de Figueiredo, chefe do Centro de Controle Operacional
10. Marcel Sarquis Moura, diretor de operações
11. Tiago Passucci Morani, gerente de engenharia e inspetor chefe
12. Carlos Alberto Costa, diretor de manutenção
13. Eric Consoli, diretor técnico
14. Rafael Gimenez Rodrigues, piloto chefe e responsável pelo Programa de Monitoramento de Dados de Voo
15. David da Costa Faria Neto, diretor de segurança operacional
16. José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass







