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Presidente da Cruz Vermelha destinava doações para conta no Maranhão

Em reunião nesta terça-feira, Walmir Serra, que preside a filial brasileira, tenta explicar ao Conselho Diretor da entidade que providências adotou contra desvio de recursos

Em uma reunião iniciada na manhã desta terça-feira, na sede da Cruz Vermelha Brasileira, no centro do Rio, o presidente nacional da instituição, Walmir de Jesus Moreira Serra, tenta explicar ao Conselho Diretor Nacional da entidade os desvios de valores recebidos a partir de doações de empresas e pessoas físicas. Serra será confrontado com pelo menos uma revelação inconveniente: apesar de já ter afirmado que “não sabia” ou “não interferia” na destinação de valores para contas na filial maranhense da Cruz Vermelha, um documento obtido por VEJA mostra que ele próprio orientava doadores a efetuar depósitos em contas naquele estado. A irmã de Serra, Carmen Serra, é quem comanda a Cruz Vermelha no Maranhão, como mostrou reportagem de VEJA.

A direção nacional da entidade dará entrevista coletiva às 16h para esclarecer detalhes das acusações de desvios de recursos, feitas a partir da filial de Petrópolis. A funcionária que denunciou as irregularidades, Letícia Del Ciampo, recebeu ameaças de morte e pediu proteção policial, depois de expor as irregularidades nas contas da instituição.

Walmir Serra vinha afirmando que a decisão de depositar o dinheiro nas contas no Maranhão era do tesoureiro e da vice-presidência, isentando-se de culpa. No entanto, VEJA obteve a cópia de um ofício enviado em 26 de janeiro de 2011 para a Mitsui & Co. S.A. A empresa doou cerca de 150.000 reais para as vítimas da tragédia na região serrana do Rio, naquele mês. No ofício, assinado por Walmir Serra, há a orientação sobre os dados para depósito em nome da entidade. A conta listada, de número 80.000-7, na agência 1611-X, do Banco do Brasil, fica em São Luiz do Maranhão.

A direção da empresa pensava doar para as famílias atingidas pela chuva na serra, que deixaram cerca de mil mortos e centenas de famílias desabrigadas. O dinheiro, no entanto, nunca chegou. Assim como nunca foram repassados também valores doados para vítimas do terremoto no Japão ou para a crise humanitária na Somália.

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