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Presidente cumprimenta adeptos do ‘Veta Dilma’ em MG

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte – A presidente Dilma Rousseff driblou seguranças, ministros e parlamentares que a acompanhavam nesta sexta-feira durante solenidade de entrega de unidades habitacionais em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, para cumprimentar adeptos da campanha “Veta Dilma”, que pedem a ela para vetar no novo Código Florestal aprovado pelo Congresso. Segundo os integrantes do grupo, Dilma acenou todo o tempo com a cabeça, indicando que pode atender ao apelo.

O movimento contrário ao texto aprovado pela Câmara no fim de abril ganhou corpo nas redes sociais e, na semana passada, levou até a atriz Camila Pitanga a quebrar o protocolo – com um devido pedido de licença – durante cerimônia no Rio de Janeiro para pedir o veto à presidente. A resposta de Dilma foi apenas um sorriso, a mesma dada aos manifestantes em Betim. O código revoltou ambientalistas, que apontam retrocessos na legislação ambiental do País caso ele seja sancionado.

Nesta sexta-feira, porém, houve uma diferença. A presidente participava de cerimônia para inauguração de uma creche e entrega de 1.160 imóveis dos conjuntos habitacionais Parque das Palmeiras I e II e Baviera, construídos no bairro Sítio Poções por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Os cerca de 50 manifestantes foram mantidos afastados do evento, fora das grades armadas pela segurança no entorno dos prédios onde era realizada a solenidade com a presença de Dilma, dos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Aloísio Mercadante (Educação) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades), além de prefeitos, parlamentares e outras autoridades.

Do lado de dentro, era possível ver apenas duas faixas com o “Veta Dilma” estendidas na varanda de um vizinho. Ao deixar o local, no entanto, a presidente ouviu o coro de “Dilma pode vetar, o Brasil vai te apoiar”, se desvencilhou do esquema de segurança e da comitiva oficial e atravessou a rua para cumprimentar os manifestantes. “Quando eles (seguranças e comitiva) viram que ela ia atravessar a rua, veio aquele bolo de gente atrás”, conta o estudante Raul Lansky, de 19 anos, um dos organizadores do protesto.

O rapaz lembrou que, ao chegar ao evento, a presidente já havia aberto o vidro do veículo oficial para saudar o grupo, composto em sua maioria por pessoas sem vinculação a entidades. “Ela é muito sisuda, mas deu um sorriso franco”, comentou. No corpo-a-corpo, Dilma também não falou com o grupo, mas cumprimentou os manifestantes mais próximos da grade, alguns deles com máscaras de deputados federais do PMDB mineiro que votaram a favor do projeto, como Newton Cardoso, Paulo Piau e Leonardo Quintão.

“Quando desejamos coragem para ela vetar, a presidente sorriu e acenou concordando”, lembrou o estudante, esperançoso de que o gesto indique a posição presidencial diante do código. “Ela indicou que pode vetar alguns trechos do texto, mas não especificou quais”, disse o deputado estadual Durval Ângelo (PT), que participou da solenidade no palanque junto com a presidente.

Durante o evento, a presidente evitou tratar de política ou temas polêmicos e, em um discurso de 14 minutos, optou por um tom emotivo, com foco no dia das mães e na segurança que a casa própria oferece às famílias. Mas admitiu que famílias com renda mais baixa não têm condições de adquirir um imóvel no País sem ajuda do governo. “Pela primeira vez, posso dizer o seguinte para vocês: é impossível alguém comprar casa no Brasil se ganha até um salário. É impossível alguém comprar casa no Brasil se ganhar até R$ 1,6 mil e não tiver uma poupança. Porque a inflação não fecha. O preço que você paga por uma casa e o salário que a pessoa recebe não fecham”, disse.

E acrescentou que, desde a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH) em 1986, é a primeira vez que o governo está “garantindo casa para quem não tinha casa”. Os conjuntos habitacionais foram construídos com investimento de R$ 53,7 milhões e os apartamentos de 44 metros quadrados são destinados a famílias com renda de até R$ 1,6 mil. Segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), as prestações dos financiamentos equivalem a 10% da renda dos beneficiários, com prazo de dez anos para pagamento.