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Prefeitura marca data para tirar carros e ônibus da Avenida Rio Branco

Por Joao Marcello Erthal 3 Maio 2010, 18h20

Avenida Rio Branco em 1910

Em vez do ronco incessante e da poluição de cerca de 40 mil veículos por dia, uma área de 2 milhões de metros quadrados, arborizada, por onde passam apenas pedestres, bicicletas e veículos elétricos. A transformação radical de cenário, preparada pela prefeitura do Rio para a Avenida Rio Branco, no Centro, será testada a partir de 26 de junho, num ensaio para a transformação de um dos principais corredores viários da cidade em uma espécie de boulevard carioca.

Entregar a centenária avenida aos pedestres, a exemplo do que Nova York fez há um ano em Times Square, onde um trecho da Broadway foi proibido ao trânsito, passa, necessariamente, por uma reorganização de todo o transporte no coração da cidade. E, consequentemente, mudará os hábitos de quem trabalha ou frequenta aquela região, já que livrar-se dos ônibus e táxis deve representar alguns minutos a mais de caminhada todos os dias. A prefeitura ainda não informou a duração do período experimental.

Mesmo com as alternativas ecologicamente corretas de transporte estudadas para os dois quilômetros de pista, como carrinhos elétricos, esteiras e “bicitáxis”, uma mudança esperada com a proibição dos carros é a perda da comodidade de embarcar a poucos passos da porta do trabalho. Uma contagem feita em outubro do ano passado pelo pesquisador Paulo Cezar Ribeiro, professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, constatou que, na parte da manhã, passam por hora na Rio Branco 779 automóveis, 546 ônibus, 273 vans, 854 táxis e 26 caminhões.

“Apesar de o carro ser sempre apontado como vilão do trânsito, na Rio Branco constatamos que ônibus e, principalmente, os táxis, são maioria nessa região. Os passageiros desses dois transportes terão de se deslocar até os pontos de embarque, que certamente ficarão mais distantes”, analisa.

Trânsito sufocante – A Avenida Central – nome original dado pela administração Pereira Passos em 1904 – não foi concebida exclusivamente para pedestres. Mas o projeto, que seguiu o modelo das grandes avenidas parisienses projetadas por George-Eugène Haussmann, não poderia supor que a pista original de 33 metros de largura teria, 100 anos depois, o trânsito sufocante dos dias de hoje. Pelos cálculos do pesquisador da Coppe, nos horários de maior movimento a Rio Branco recebe um ônibus a cada 11 segundos – o que, nem de longe, lembra a sensação de cidade arejada, limpa e moderna que se pretendia para o “Rio do futuro” do prefeito Pereira Passos.

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Projeto para a Cinelândia

O aumento do tráfego engoliu o canteiro central da Avenida Central, nos anos 1940. Desapareceu também, em 1976, o Palácio Monroe, inaugurado em 1906, que foi sede do Senado entre 1925 e 1960, quando a capital foi transferida para Brasília. Entre os motivos da demolição do Monroe, que até hoje provoca polêmica, estaria a necessidade de melhorar o trânsito na região.

Mudanças – O projeto Rio Verde quer dar o troco: automóveis vão sumir da vista mesmo em estacionamentos, que serão subterrâneos; e só veículos de serviço, como ambulâncias, carros-fortes e viaturas de polícia e bombeiros entrarão na Rio Branco.

A revitalização urbanística, no entanto, esbarra na deficiência da estrutura de transporte público que o Rio ainda luta para superar. Em Times Square, os carros que não passam mais pela Broadway, entre as ruas 42 e 47, acham espaço em avenidas paralelas de porte semelhante. E na Oxford Street, em Londres, onde veículos particulares são proibidos, além de vias paralelas para desafogar o trânsito, há faixas exclusivas para táxis.

“O trânsito nas ruas e avenidas que podem servir de alternativa à Rio Branco, como o Mergulhão da Praça 15, avenidas Primeiro de Março e Perimetral, já é bastante saturado. Essas vias certamente vão sofrer com o aumento abrupto de tráfego”, prevê Paulo Cezar Ribeiro.

O deslocamento de itinerário dos 1.800 ônibus, distribuídos em 85 linhas que passam hoje pela Rio Branco, preocupa comerciantes da Lapa. Diretor da Associação Pólo Novo Rio Antigo, Plínio Fróes, teme que a mudança na Rio Branco tenha impacto negativo para bares, restaurantes, casas noturnas e antiquários que fizeram da região da Lapa e da Praça Tiradentes um pólo de lazer que atrai cariocas e, também, turistas de toda parte. “Nosso medo é que o Rio Antigo, que revitalizamos com muito custo, deixe de ser corredor cultural para virar corredor de ônibus”, explica.

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