Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Prefeitura de São Paulo vai reduzir velocidade de 41 vias da cidade

Ruas e avenidas que serão alvo da gestão Haddad dão acesso às marginais do Pinheiros e do Tietê. Medida visa à redução do número de acidentes fatais

Quarenta e uma ruas e avenidas que dão acesso às marginais do Pinheiros e do Tietê serão as próximas a terem velocidade reduzida para 50 quilômetros por hora na capital paulista. O motivo apresentado pela prefeitura é aumentar a segurança. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que a cada dez mortes no trânsito da capital em 2014 uma ocorreu em algum desses endereços.

Além de diminuir as fatalidades, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, quer reduzir a quantidade de acidentes de trânsito com feridos nos locais onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h. Em 2014, 2.260 pessoas se machucaram em acidentes de trânsito nos 41 endereços, ou 11,2% dos 23.547 casos semelhantes registrados em todo o município, no mesmo período.

Leia mais:

MP investiga redução de velocidade nas marginais

Radares multam por dia 2.000 carros nas marginais

“Quando conversei com a área técnica da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a preocupação era para que continuasse a diminuição [de velocidade nas vias] onde acontecem mais acidentes. A segunda [preocupação é] tentar fazer a saída das marginais, já para ir criando uma espécie de rede de ‘zona 50′”, disse Tatto. De acordo com o secretário, “fica por conta” da companhia o cronograma de reduzir a velocidade para 50 km/h. Ele ainda garantiu que o plano da prefeitura é irreversível. “A decisão política foi tomada. O conceito é a redução do número de acidentes.”

Algumas vias, no entanto, já tiveram a velocidade reduzida em 10 km/h. A Avenida Aricanduva, na Zona Leste, que dá acesso à Marginal do Tietê, teve a medida adotada no último dia 3. Foram registradas treze mortes na via em 2014. O mesmo ocorreu com a Estrada de Itapecerica, na Zona Sul, que é interligada com a Marginal do Pinheiros. Lá, 22 pessoas morreram ao longo do ano passado.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tenta barrar na Justiça a redução de velocidade nas marginais, ainda avalia se vai entrar com alguma medida judicial contra a prefeitura pela padronização da velocidade. Já o Ministério Público do Estado de São Paulo vai decidir até quinta-feira se abre algum tipo de investigação para apurar a medida no restante da cidade.

Para especialistas na área de transporte, a proporção de mortes nos 41 locais é menor do que a quantidade de feridos porque se trata de vias arteriais com semáforos, curvas, canteiros centrais e outros obstáculos nos viários, que tornam os acidentes menos fatais. “Existe uma série de fatores como geometria da via e volume de tráfego”, explicou o consultor de Transportes Marcos Bicalho. Mas ele acha “um exagero” os limites de 50 km/h nas vias arteriais da cidade, mesmo admitindo que a medida pode amenizar a quantidade de mortos e feridos. “Certamente, se manter essa medida, fazer valer, vai ter resultado. Mas o consumo de bebida alcoólica também causa tantos acidentes quanto a velocidade”, afirmou Bicalho.

Para o chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, a proporção menor de mortos não quer dizer que as vias não precisem ter uma velocidade de 50 km/h. “A gravidade das lesões nos acidentes vai ser outra. A velocidade é o primeiro fator para desencadear as tragédias no trânsito”, disse o especialista. Ainda segundo ele, mesmo os motoristas que transgredirem os novos limites “vão desrespeitar, mas em uma velocidade menor do que antes.”

Para ele, a padronização no restante da cidade “é saudável” para a segurança dos motoristas e pedestres, sem prejudicar o trânsito. “O que causa os congestionamentos é o excesso de veículos e não a velocidade máxima que se pode trafegar.”

Leia também:

A cada hora, trânsito mata ou fere três em São Paulo

(Com Estadão Conteúdo)