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Policial encontra – e devolve – carteira com mil reais

Soldado Marlon Ramos pertence ao 7º BPM, que ganhou destaque no noticiário depois do assassinato da juíza Patricia Acioli

Por Leslie Leitão 21 set 2011, 00h30

“Não era meu. Tinha o telefone da pessoa dentro da carteira. Não ia dormir direito se não fizesse isso.”

Marlon Ramos, soldado do 7º BPM (São Gonçalo)

Com um salário de 1.300 reais mensais para sustentar mulher e filho, o soldado Marlon Ramos, de 37 anos, há seis na Polícia Militar, teria bons motivos para guardar a carteira com mil reais em espécie que encontrou nesta segunda-feira no centro de Alcântara, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. No entanto, menos de 30 minutos depois, Ramos e o estudante de Direito Rafael Pereira, de 21 anos, se encontraram dentro de 7º BPM (São Gonçalo). A carteira e todo o dinheiro foram devolvidos ao dono.

O soldado encontrou a carteira no meio da rua. Ao abri-la, encontrou uma nota fiscal com um número de telefone e a carteira de motorista de Rafael. Telefonou e combinou a devolução. Rafael, depois de respirar aliviado, ficou atônito ao saber que seu interlocutor era um policial. “Quando dei falta da carteira corri de volta para casa, revirei tudo, mas não achei. Então meu telefone tocou e o policial avisou logo que tinha achado. Claro que fiquei surpreso”, disse. “A gente tem muita notícia ruim sobre a polícia.”

No caso, notícia ruim não é uma definição genérica. O 7º BPM está no centro do noticiário sobre o assassinato da juíza Patricia Acioli, com três policiais presos e centenas de armas apreendidas para averiguação sobre possíveis cúmplices na trama criminosa.

Rafael conta que o dinheiro sequer era dele – e sim de um amigo que trabalha como missionário na África. “Amanhã vou depositar o dinheiro para a família dele. Se a carteira sumisse, ninguém desconfiaria de um policial. Ele fez isso por honestidade”, diz.

O soldado Ramos explica com simplicidade por que devolveu a carteira: “Não era meu. Tinha o telefone da pessoa dentro da carteira. Não ia dormir direito se não fizesse isso.”

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