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Policiais são suspeitos de estuprar mulher na Rocinha

Grupo do Batalhão de Choque da PM teve prisão pedida por delegado. Vítima foi flagrada cometendo furtos e teria sofrido abuso em um beco da favela

Por Leslie Leitão e Rafael Lemos 20 abr 2012, 17h37

A 14ª DP (Leblon) está investigando a denúncia de que quatro policiais militares teriam estuprado uma mulher na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. O grupo, lotado no Batalhão de Choque (BPChoque), teria flagrado a mulher cometendo furtos na favela. Detida, ela teria sido levada para um beco, onde sofreu abuso sexual. As investigações estão sendo conduzidas pelo delegado Gilberto Ribeiro, que já enviou à Justiça o pedido de prisão temporária dos quatro, com base no depoimento e no laudo do exame de corpo delito realizado pela mulher. Procurado por VEJA, o delegado avisou que não falará sobre o caso. O episódio ocorreu no final da tarde da última quarta-feira, próximo à Rua 2. Uma cópia do registro já foi enviada à Corregedoria Geral Unificada (CGU).

A Rocinha vive um momento conturbado de sua pacificação. Em pouco mais de dois meses, ocorreram 12 mortes no morro, que está ocupado desde o dia 13 de novembro do ano passado. Brigas entre facções rivais e a execução de civis e militares põem em xeque a efetividade da presença das forças de segurança. Casos de estupro, no entanto, ainda não tinham vindo à tona.

Além da onda de assassinatos, a polícia investiga a denúncia, revelada por VEJA, de que policiais que atuam na ocupação da Rocinha estariam sendo coniventes com os bandidos em troca de um ‘mensalinho’, cujo valor mensal seria de 80.000 reais. Para entrar no esquema, era necessário dar uma “entrada” de 200.000 reais para começar a negociação. Assim, ficaria garantido que os PMs não fiscalizariam becos e vielas onde o tráfico atuaria com liberdade na favela.

No começo deste mês, o cabo Rodrigo Alves Cavalcante, de 33 anos, lotado no mesmo Batalhão de Choque (BPChoque), foi baleado e morreu enquanto patrulhava a favela. No mesmo dia, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, concedeu uma entrevista coletiva reafirmando que a política de pacificação seria mantida. “Em todas as áreas que entramos tivemos problemas. Nenhuma foi fácil”, disse na ocasião. E acrescentou: “A satisfação que dou à sociedade é que isso não nos fará recuarmos um milímetro da nossa proposta”.

Em seguida, a Rocinha passou a receber 643 policiais para patrulhar a favela, em turnos de 150 homens. O contingente era de 350 policiais. Ainda assim, os assassinatos continuaram. No dia 17 de abril, um homem morreu durante tiroteio com policiais. Segundo a PM, os militares patrulhavam o local conhecido como Beco 99 quando abordaram um grupo em atitude suspeita. Os homens fugiram enquanto um dos bandidos atirou. No confronto, o homem, que estaria armado com um revólver calibre 38, foi atingido e morreu a caminho do hospital. Moradores chegaram a ensaiar um protesto, dizendo se tratar de um inocente.

A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro divulgou nota na qual informa que a Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria de Segurança está, desde a quinta-feira, acompanhando junto à 14ª DP o caso dos policiais militares acusados de estupro, e vai abrir Procedimento Administrativo Disciplinar para apurar os fatos. De acordo com a nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, determinou à CGU “o máximo de rigor nas investigações relacionadas a esse caso”.

(atualizado às 20h45)

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