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Policiais saem à caça do goleiro Bruno

Jogador do Flamengo teve prisão decretada pela Justiça. Mulher do atleta foi presa pela manhã em Minas e amigos são procurados

Por Andréa Silva, de Contagem (MG) - 7 jul 2010, 11h03

Com uma pistola, o menor diz ter dado uma coronhada na cabeça da ex-amante de Bruno, que ficou desacordada mas, segundo ele, “não morreu na hora”

O goleiro Bruno, do Flamengo, é considerado foragido da Justiça desde a manhã desta quarta-feira. Também está sendo procurado o amigo e funcionário do jogador, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Eles tiveram prisão temporária decretada a pedido do Ministério Público Estadual, por suspeita de envolvimento no seqüestro e assassinato da jovem Eliza Samudio, 25 anos. O pedido de prisão baseia-se no depoimento de um menor de 17 anos que assumiu ter, junto com Macarrão, seqüestrado e agredido a jovem no dia 6 de junho. O adolescente foi interrogado por cinco horas na tarde de ontem por policiais civis no Rio.

Os dois principais suspeitos também tiveram prisão decretada pela Justiça de Minas Gerais. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, de Contagem, a partir de um pedido do promotor Gustavo Fantini, decretou oito prisões temporárias. Além de Bruno e Macarrão, a medida inclui Dayanne Souza, mulher de Bruno suspeita de participação no rapto do filho de Eliza, Cleiton da Silva Gonçalves – ambos já detidos e outros cinco envolvidos no caso. São eles: Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, Elenílson Vitor da Silva e uma oitava pessoa cujo nome não foi divulgado.

A prisão temporária – com duração de cinco dias, renováveis – destina-se, segundo explicou o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado Edson Moreira, a “preservar a integreidade da instrução criminal”, ou seja, evitar que os envolvidos atrapalhem as investigações, destruam ou adulterem provas.

Seis equipes da Polícia Civil do Rio estão, desde o início da manhã, à caça de Bruno e Macarrão. O jogador passou a ser dado foragido depois que, às 8h, policiais estiveram na casa do jogador, em um condomínio de classe média alta no Recreio dos Bandeirantes, e não o encontraram. Os agentes permaneceram cerca de 15 minutos na casa. A delegada Alessandra Wilke, que preside o inquérito sobre o desaparecimento de Eliza na Delegacia de Homicídios de Contagem, está no Rio com uma equipe para tentar cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão.

Sequestro e agressão – O menor de 17 anos, que seria primo de Bruno, entrou no caso a partir da informação dada por um tio dele à Rádio Tupi. O relato do adolescente isenta o goleiro Bruno da participação direta na morte de Eliza. Ele contou à polícia que, no dia 6, foi com Macarrão ao hotel onde Eliza estava hospedada na Barra da Tijuca. De lá, levariam a jovem e o menino Bruninho para o sítio do jogador, em Esmeraldas. Eliza, pelo que a polícia já sabe a partir de testemunhas, foi atraída a Minas por uma promessa de Bruno de, além de reconhecer a paternidade de Bruninho, montar um apartamento para ela em Minas – onde o atleta tem família – e assumir as despesas do garoto e um plano de saúde.

A agressão a Eliza aconteceu no caminho para Minas. Segundo o garoto, ele permaneceu no banco traseiro até que, ao ser descoberto por Eliza, houve uma discussão. Com uma pistola, o menor diz ter dado uma coronhada na cabeça da ex-amante de Bruno, que ficou desacordada mas, segundo ele, “não morreu na hora”.

Macarrão e outro amigo do jogador, Cleiton da Silva Gonçalves – ambos com prisão temporária decretada pela Justiça – teriam se encarregado de sumir com o corpo de Eliza. Cleiton teria recebido 3 000 reais para levá-la a um traficante da região, que teria ocultado o cadáver enterrando-o em concreto.

Cleiton, um dos primeiros amigos do jogador a prestar depoimento na semana passada, era quem dirigia a Land Rover do jogador quando o carro foi apreendido pela polícia mineira em 8 de junho. Depois do sumiço de Eliza, foram descobertos vestígios de sangue humano no carro – o que parece confirmar a versão de que Eliza foi agredida dentro do veículo, como contou o adolescente

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