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Polícia usa homens à paisana para identificar grupos que abusam de mulheres no metrô

Dezesseis homens foram detidos neste ano por atentado violento ao pudor e um foi enquadrado por estupro nas linhas de trens e metrô de São Paulo

Por Eduardo Gonçalves 19 mar 2014, 18h45

Na maior cidade do país, não basta ter de enfrentar diariamente o drama de vagões e plataformas de trens e metrô superlotados, com riscos de furtos e uma malha de trilhos deficitária. As mulheres, agora, têm de conviver com um estúpido grupo que se articula pelas redes sociais para incentivar o assédio sexual. São os autointitulados “Encoxadores”, que gravam pelo celular passageiras sofrendo abusos nos trens e compartilham as imagens nas redes sociais – a página no Facebook tinha 12.000 seguidores até ser tirada do ar.

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Nesta terça-feira, a Polícia Civil informou que infiltrou homens à paisana para tentar identificar os depravados nas estações de trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Neste ano, a polícia prendeu dezessete homens que assediaram mulheres em vagões. Mas, depois de detidos, a punição – quando ocorre – é branda: a ocorrência é registrada como atentado violento ao pudor e o infrator é liberado. No pior dos cenários, um juiz acata a denúncia no futuro e impõe uma pena como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários. “Se dependesse da polícia, eles ficariam presos, mas é o juiz quem decide”, afirmou o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur), à qual se subordina a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom).

Segundo o delegado, as primeiras investigações da polícia já identificaram alguns grupos que agem em conunto. “Eles se autointitulam encoxadores da linha 4 – Rubi da CPTM, encoxadores da linha de ônibus X”, disse. “Identificamos grupos no Facebook e no Whatsapp, eles relatam que encoxaram duas hoje, (sic) enfiaram a mão em uma ontem.”

Os principais alvos são as linhas com intenso fluxo de passageiros, especialmente em horários de pico, e conexões com trens e terminais de ônibus – estações Luz, Sé, Paraíso, Ana Rosa, Jabaquara, Consolação, Tatuapé e Brás.

Nesta quarta, dois homens foram detidos na estação Sé do metrô. No celular do técnico em informática Bruno Roma Perroni, de 24 anos, foi encontrado um vasto arquivo de cenas de mulheres sofrendo abusos – em alguns casos, ele fez questão de mostrar que era sua própria mão quem gravava as imagens. A vítima desta vez foi uma mulher de 25 anos, que usava um vestido acima do joelho. “O metrô estava muito apertado e não vi nada”, disse ela. “Quando vi as imagens, fiquei chocada… Imagine fotos minhas sendo publicadas na internet.”

Outro preso hoje foi o engenheiro elétrico Eduardo Ferreira do Nascimento, de 26 anos, acusado de se insinuar sobre uma mulher no metrô. A vítima foi uma vendedora de 33 anos, que relatou ter sentido a mão de Nascimento tocar a parte interna de sua coxa. Ela gritou e o acusado foi detido pelos seguranças.

Os depoimentos dos detidos, aliás, causam mais revolta nas passageiras que denunciam a ação despudorada. Adilton Aquino dos Santos, de 24 anos, tentou ir mais longe: forçou a vítima a tirar a calça e ejaculou nas pernas dela. Acabou espancado pelos passageiros até a chegada da polícia. Enquadrado por estupro – pena de seis a dez anos de prisão -, ele confessou ser frequentador das lamentáveis páginas dos “Encoxadores” no Facebook.

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