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Polícia tem agora só uma hipótese para morte de Marielle: execução

Vereadora do PSOL foi morta a tiros no centro do Rio de Janeiro juntamente com seu motorista na noite desta quarta; ela criticava policiais e a intervenção

Por Da Redação - Atualizado em 15 mar 2018, 15h48 - Publicado em 15 mar 2018, 15h47

A polícia do Rio de Janeiro passou a trabalhar com uma única hipótese para o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL): execução. Não está claro, ainda, no entanto quem teria ordenado o crime. A parlamentar e o motorista Anderson Pedro Gomes foram mortos a tiros tiros na noite desta quarta-feira, 14, no centro da cidade. A assessora Fernanda Chaves, que estava junto, ficou ferida por estilhaços, mas  já foi socorrida e liberada.

Marielle voltava de uma evento em que foi discutido o aumento da violência contra contra mulheres negras. Por volta das 21h30, um carro se aproximou do veículo da vereadora na Rua Joaquim Palhares. Nesse momento foram feitos os disparos: quatro deles atingiram Marielle na cabeça, que estava no banco de trás; o motorista levou outros três tiros nas costas. A polícia localizou nove cápsulas de bala e suspeita que os criminosos seguiram o automóvel das vítimas, que tem vidros escuros. Os bandidos fugiram sem levar nada.

Localização onde o carro parou após ser alvejado

Ativa nas redes sociais, a vereadora costumava postar mensagens de apoio ao movimento negro e aos direitos da mulheres e críticas ao governo de Michel Temer (MDB), à intervenção federal no estado e à atuação da polícia. No último sábado, Marielle protestou contra uma operação da Polícia Militar na Favela de Acari.

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“O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu na postagem.

Em outra postagem, na terça-feira (13) ela ligou a Polícia Militar à morte do jovem Matheus Melo, baleado na terça na favela do Jacarezinho ao sair da igreja, em caso ainda sem solução. “Mais um que pode estar entrando para a conta de homicídios da polícia. Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?”, disse.

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Atuação da PF

Ainda na noite de ontem, o secretário de estado da Segurança Pública, general Richard Nunes, determinou à Divisão de Homicídios uma ampla investigação sobre os assassinatos. A nota divulgada pela secretaria afirma que, desde os primeiros momentos, o secretário acompanha as investigações com o chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa.

A Presidência da República divulgou nota à imprensa para informar que “o governo federal acompanhará toda a apuração do assassinato”. O documento diz ainda que o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, falou com o interventor federal no estado, general Walter Braga Netto, e colocou a Polícia Federal à disposição para auxiliar na investigação.

Quem é

Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas últimas eleições para a Câmara Municipal, com 46.502 votos. Formada em sociologia pela PUC-Rio, ela tinha mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua dissertação teve como tema “UPP: a redução da favela a três letras”. Marielle também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado do deputado estadual Marcelo Freixo, também do PSOL.

(com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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