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Polícia prende 2º suspeito de linchar mulher no Guarujá

Lucas Rogério Fabrício Lopes, de 19 anos, está detido para averiguação. Ele passou com uma bicicleta sobre a cabeça de Fabiane Maria de Jesus

A Polícia Civil prendeu na madrugada desta quinta-feira no Guarujá (SP) o segundo suspeito de participar no linchamento que levou à morte da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos. Ela foi atacada por moradores do bairro Morrinhos após ser confundida com uma mulher que seria sequestradora de crianças.

Lucas Rogério Fabrício Lopes, de 19 anos, ainda não teve a prisão decretada pela Justiça e está detido para averiguação. A polícia o identificou como o homem que aparece com uma bicicleta durante o espancamento, em imagens gravadas por moradores. Ele passa com o roda da bicicleta sobre a cabeça de Fabiane.

Lucas foi identificado por causa da bicicleta em que andava no dia do crime. Ele é ajudante de serviços gerais e também morador de Morrinhos. Ele estava na casa de uma tia nesta quarta-feira quando soube que era procurado – a parente, que pediu para não ser identificada, afirma que o trouxe 1º DP. Lucas passou a noite na carceragem. Os advogados dele disseram que ele confessou participação. Ao se entregar, ele disse “estar arrependido” e pediu desculpas à família de Fabiane. A tia dele também disse que Lucas foi ao local do linchamento “como todos os demais moradores revoltados por causa do confusão”.

A polícia identificou outros cinco moradores que teriam participado da barbárie através de imagens captadas por aparelhos de celular. Nesta terça-feira, foi preso o eletricista Valmir Dias Barbosa, de 48 anos, apontado no vídeo como o homem que jogou um pedaço de madeira sobre a cabeça de Fabiane.

Dois dos cinco suspeitos identificados por policiais estão foragidos, segundo os investigadores. Uma mulher que teria testemunhado o espancamento e um homem suspeito de participação acabaram de ser conduzidos ao 1º DP para prestar depoimento. Por enquanto, eles são tratados como testemunhas. Roupas e um boné que o rapaz usava no dia do crime também foram apreendidos.

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Brasil, ainda um país de justiceiros e justiçados

No sábado passado, Fabiane saiu de casa para buscar uma Bíblia que havia esquecido dias antes na igreja São João Batista, onde ela frequentava missas. Ela ficou uma hora e meia no local, depois saiu para tirar dinheiro no caixa eletrônico e passou no supermecado. No caminho, duas pessoas a acusaram de ser a falsa sequestradora, e começaram as agressões.

A polícia foi chamada quando Fabiane já estava desacordada, completamente desfigurada e prestes a ser queimada viva em um colchão pelos vizinhos. “Ela ia visitar nossa prima quando começaram as acusações. Ela nem teve tempo de se defender”, diz a cabeleireira Miriam Neves, prima de Fabiane.

O retrato falado da mulher espalhado na internet é de 2012 e se refere a um crime investigado no Rio de Janeiro. A polícia do Guarujá informa que nenhum caso similar foi registrado no município. O administrador da página “Guarujá Urgente” foi ouvido pela polícia nesta terça-feira.

Descrita por amigos como uma pessoa muito educada e tímida, Fabiane chegou a ser atendida no hospital Santo Amaro, mas não resistiu às agressões. “As pessoas que fizeram isso são piores do que animais. Tiraram a vida de uma pessoa que nunca fez mal a ninguém”, diz Miriam.