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Polícia ocupa favela e prende 9 após morte de adolescentes

Policiais militares e fuzileiros navais participam da operação, que deve resultar na criação de uma unidade da PM nas favelas próximas. Região teve 12 mortes em três dias

Nove pessoas foram presas nesta terça-feira durante a ocupação da Favela da Chatuba, no Rio de Janeiro, por forças policiais. Participam da ação, iniciada após a morte de seis adolescentes neste final de semana, 250 policiais militares do Choque, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e fuzileiros navais. A operação conta com o auxílio de quatro blindados da Marinha.

De acordo com a PM, a ocupação na favela, localizada nos municípios de Nilópolis e Mesquita, na Baixada Fluminense, será permanente. Ainda segundo a corporação, a região registra 12 mortes em apenas três dias.

Entre os presos estão Ricardo Sales da Silva, de 25 anos, e Monica da Silva Francisco, de 20. Os dois estavam com 433 papelotes de cocaína e 41 pedras de crack. Um homem identificado apenas como Beto Gorducho também foi preso. Ele estava em uma casa com 50 gramas de cocaína e 15.000 reais em dinheiro.

A intervenção policial na favela é consequência das mortes ocorridas na região no último final de semana. A Polícia Civil acredita que a chacina de seis jovens em Mesquita, na Baixada Fluminense, foi cometida como uma “demonstração de força” de traficantes que atuam na Favela da Chatuba, próxima ao Parque de Gericinó. As vítimas não teriam envolvimento com o tráfico de drogas.

Os corpos dos seis adolescentes foram encontrados na manhã de segunda-feira em um canteiro de obras da duplicação da Rodovia Presidente Dutra. Os jovens estavam desaparecidos desde sábado, quando saíram de casa para tomar um banho de cachoeira no parque. No mesmo dia e na mesma área, foram encontrados mais dois corpos: o de um pastor e o de um cadete da polícia militar – que pode ter sido torturado. Outro adolescente, que ainda está desaparecido, teria sido visto pela última vez também nas redondezas do Parque de Gericinó.

Mais um desaparecido – As autoridades afirmam que muitos dos criminosos que atuavam nos complexos do Alemão e da Penha, com a atuação da PM, migraram para esta região da Baixada. A polícia recebeu um pedido de ajuda do pai de um jovem que, segundo a família, teria sido assassinado por traficantes e enterrado na mata. Ele teria saído de casa na manhã de sábado e desapareceu. A mãe do rapaz recebeu de um bandido a informação de que ele havia sido enterrado pelo traficante “Foca”.

As mortes chocaram os moradores de Mesquita. Os seis jovens encontrados mortos na manhã de segunda-feira stão sendo velados no Ginásio Municipal de Nilópolis, também na Baixada Fluminense, desde o início da manhã. Vizinhos, parentes e amigos lotam a quadra do ginásio e fazem orações e homenagens aos adolescentes.

Os jovens não tinham envolvimento com o tráfico. Clarissa Searles, de 15 anos, falou do comportamento tranquilo do primo Josias Searles, um dos adolescentes assassinados. Ela estudava na mesma sala que Josias e estava em aula quando recebeu a notícia. “Todo mundo entrou em desespero quando a professora contou o que tinha acontecido. Ele era um aluno dedicado aos estudos, mas também era muito brincalhão. Jogava bola e tinha muitos sonhos. Estamos todos muito tristes.”

A diretora da escola, Eliana Pereira de Oliveira, estava inconformada. “Ver o meu aluno e não reconhecê-lo é terrível. É uma barbárie inadmissível”, disse. O enterro dos seis jovens será realizado nesta terça-feira, às 14h, no cemitério de Olinda, também no município de Nilópolis.

Ocupação – As favelas da região vão receber uma companhia da Polícia Militar. Em nota, a Secretaria de Segurança informou que na segunda-feira o secretário José Mariano Beltrame determinou ações imediatas à PM e à Polícia Civil. Diz um trecho do comunicado oficial: “Na madrugada de hoje, a Polícia Militar começou a retomada daquele território, preparando terreno para a instalação de uma Companhia Destacada que lá permanecerá por tempo indeterminado, consolidando assim o fim do domínio da Chatuba pelo tráfico de drogas. Uma Companhia Destacada é uma força policial de caráter permanente, com foco no policiamento ostensivo de uma determinada região. Experiências similares já vêm sendo realizadas com sucesso pela PM, que atualmente conta, por exemplo, com Companhias Destacadas nos municípios de Macaé e Niterói e nas comunidades cariocas de Morro Azul, Camarista Meyer e Vista Alegre”.

A criação desse tipo de unidade é um paleativo. Moradores do interior e de cidades da região metropolitana afirmam que, com a ocupação de favelas da capital pelas UPPs, bandidos passaram a se esconder em áreas menos visadas. O resultado foi um aumento da criminalidade em áreas antes tranquilas. Apesar das promessas de criação de UPPs fora da capital, há um problema de ordem prática: no Rio, quem paga as gratificações para os policiais das UPPs é a prefeitura, e an maioria das cidades não há orçamento que comporte esse aumento de gastos.

(Com Agência Estado)