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Polícia: ministro passou informação errada sobre morte de caminhoneiro

Ao contrário do que afirmou Raul Jungmann, delegado declarou que nenhum suspeito de cometer o crime foi preso em Vilhena-RO

Por Edoardo Ghirotto - Atualizado em 31 Maio 2018, 20h19 - Publicado em 31 Maio 2018, 20h18

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, repassou informações incorretas na coletiva de imprensa em que tratou da morte de um caminhoneiro na BR 364, em Vilhena, Rondônia, na quarta-feira. Segundo o delegado da Polícia Civil que conduz a investigação, Núbio Lopes de Oliveira, o emedebista cometeu um equívoco ao dizer que a Polícia Federal havia prendido o principal suspeito de atirar a pedra contra o motorista.

José Batistela, 70, foi atingido na cabeça e morreu no local. Logo após o crime, Jungmann disse que a PF tinha efetuado a prisão do suposto assassino e do chefe de um grupo que estaria se manifestando no local. Oliveira, que é responsável pela Delegacia de Homicídios de Vilhena, disse que as duas informações estão incorretas.

“Quero crer que houve um conflito de informações que foram passadas ao ministro e, portanto, ele se confundiu”, afirmou. O crime, segundo o delegado, ocorreu num trecho de rodovia em que não havia nenhuma manifestação. O assassino também não foi identificado.

O único preso pela PF de Vilhena estava incitando a violência ao dizer para que outros atirassem pedras contra os caminhões que trafegavam na rodovia. “Ele foi localizado como uma dessas pessoas por meio do aplicativo Whatsapp”, disse Oliveira. “Não tem nada a ver com o homicídio especifico do caminhoneiro.”

O delegado disse que tem respeito pelo ministro e o eximiu de culpa no caso. “O homicídio foi em razão dessa greve, e como a PF tinha feito essa prisão, no calor dos fatos, imagino que houve uma deturpação das informações da base até chegar ao ministro. Os caras estão lá longe e, às vezes, não são informados a contento.”

Em nota, o Ministério da Segurança Pública negou que tenha errado e afirmou que um homem identificado como Vagner de Souza Nava foi preso “durante ações investigativas relacionadas às manifestações violentas, dentre elas a que resultou na morte do motorista José Batistela”. Procurada, a PF de Vilhena disse que não comentaria o caso.

Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Vilhena informou que a declaração do ministro “não condiz com a verdade” e que nenhuma pessoa foi presa em conexão com o homicídio.

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